Vieste para servir.

E ao nosso atilado olhar, a Terra parecerá imenso campo de contradições e conflitos infindos.
Alguns poucos no oásis da paz e a grande massa nas contendas estéreis.

Saúde aparente e enfermidades diversas devorando a felicidade.

Ostentação chocante de algumas celebridades, renteando no mesmo chão com a miséria mais dolorosa.

Todos falando, quase ninguém ouvindo.

Discursos rasos, frases ligeiras, entendimentos superficiais, conhecimento de causa frágil. A ganância cavalgando muitos corações, a hediondez ditando regras sufocantes, clamores por toda parte, tresvario quase que generalizado.

E em meio ao caos que a centenas parece ter engolido, alguma nesga de retidão desponta, um punhado de éticos se destaca na massa de manobra. Fazem-se porto seguro para muitos barcos em soçobro moral.

A árvore estéril é ignorada pelos famintos, mas quando o vegetal é abundante de frutos recebe as pedradas impiedosas da meninada sem freios.

O poço de águas límpidas se vê buscado pelos sedentos da estrada.

O sábio já não consegue meditar em silêncio por estar cercado de desorientados e aflitos de toda ordem.

Quantas cruzes invisíveis ao olhar! Quantas feridas na tessitura delicada da alma!

Lepromas nas emoções em descontrole. Febricidade nos comportamentos, que se tornam inconsequentes ou se fazem infantis.

E surgem os instantes em que desejamos nos evadir do mundo, localizando em algum lugar um pouco da paz que os tempos modernos já não podem ofertar.

Fuga da loucura coletiva.

Vacinação contra a insensatez.

Isolamento da poluição sonora. Cultivo da meditação.

Sim, ninguém discordará que temos necessidade urgente de ressignificar o atual cenário da convivência terrestre, estabelecer ordem na casa mental, libertar-se de algemas emocionais e focar nas prioridades da existência.

Mas…

Como adotar Jesus e negar socorro ao mundo que arde nas labaredas devoradoras das paixões?

Como lecionar virtude nos blindando dos entrechoques naturais da convivência com os ásperos e rudes?

Sob que pretexto assimilar as lições do Cristo e fugir dos testemunhos indispensáveis?

Ilhar-se numa redoma de santidade, assistindo passivamente os demais a caminho do inferno?

Que anjo é esse que não desce das regiões virtuosas e felizes para socorrer os desgraçados?

Como assistir as dores na passividade mórbida?

Teria o Mestre nos chamado tão somente para o deleite de Seu reino, nos isentando de perlustrar os degraus da experiência humana?

Sim, ninguém pode alegar, em sã consciência, que o planeta não esteja em convulsões morais de proporções jamais vistas.

São tempos de amarguras superlativas, dores excruciantes, resgates dolorosos, embates ciclópicos.

Sombra teimosa, petulante.

Luz tímida, receosa de brilhar.

A intolerância esbordoa a face da concórdia. O vício gargalha da virtude e a impunidade parece apequenar a lei.

A anarquia chicoteia a civilidade.

A crise teima em não passar no seu cortejo de loucura e sofrimento.

O caos desorganiza milhares de anos de cultura e filosofia, mas abre campo para um novo tempo. Das cinzas, resgatam-se valores perdidos. Do breu, nasce a luz.

A madrugada teimosa cede terreno ao dia que triunfa.

Cruzes se tornam asas de libertação. Cânticos substituem o grito. Preces se elevam dos charcos, balsamizando as agonias.

Vieste para servir.

Fostes chamado para ajudar.

O Cristo não te equipou para a fuga do mundo.

Se desertas, com quem Ele contará?

Peregrino da esperança, tu tens na garganta as palavras da vida eterna, e por tuas mãos Jesus pensará as feridas do mundo.

Vai! Serve!

Já perdeste muito tempo.

O Incansável Amigo tem pressa em redimir a grande escola planetária, e desde o ontem longínquo espera por ti.

É teu momento decisivo.

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 27.08.2021

 

81 Visita(s) a esta matéria.