Um ato de esperança

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Um Ato de Esperança (The Children Act, 2017) funciona em três âmbitos de sua narrativa. Em dois deles, exibe ótima forma. Chegando ao Brasil com quase dois anos de atraso em relação à sua estreia no Festival de Toronto, o longa britânico – com coprodução dos EUA – tem como chamariz a presença da estrela Emma Thompson, veterana de uma carreira de 37 anos, com 84 créditos como atriz e vencedora de dois Oscar.

O filme é baseado no romance de Ian McEwan (autor de Desejo e Reparação), que discute em seu âmago o polêmico tema atemporal da ciência versus religião. Dirigido por Richard Eyre (do fervoroso Notas Sobre um Escândalo), o longa segue o exaustivo trabalho da juíza britânica Fiona Maye (Thompson), cujos casos em sua maioria envolvem crianças, procedimentos médicos e seus pais ou familiares contrários a tais intervenções.

Quando o filme começa, a magistrada se depara com o caso de gêmeos siameses, que precisam ser separados para que ao menos um deles tenha chance de sobreviver. Os pais dos bebês, religiosos incisivos, são completamente contra a operação – afirmando que o ato consistiria em assassinato, já que estaria condenando imediatamente um deles. Estes são os tipos de problemas com os quais a protagonista precisa lidar no seu dia a dia.

Como contraponto desta rotina, Maye não possui filhos – o que torna seus julgamentos mais racionais, menos passionais, mas não completamente desprovidos de emoção. Em casa – na vida pessoal – outra questão pesa sobre a magistrada: o casamento com o personagem do sempre eficiente Stanley Tucci (indicado ao Oscar) caiu na rotina e esvaiu qualquer intimidade. O sujeito beira o desespero, buscando de toda forma reacender a chama. Mas para esta mulher de fibra, o trabalho vem sempre em primeiro lugar.

Fonte: https://cinepop.com.br/critica-um-ato-de-esperanca-emma-thompson-brilha-em-drama-sobre-religiao-versus-ciencia-205159

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