Tudo passa, só o amor permanece.

Em um milênio que dá seus primeiros passos, avulta-se a grande preocupação de homens e mulheres com a saúde física, notadamente com as formas do carro orgânico.

Academias e regimes de exercícios físicos surgiram e aparecem quase todos os dias, recomendando esse ou aquele cuidado específico para os candidatos a manequins, os que desejam perder peso numa sociedade de obesos, correção de postura da cervical e equilíbrio de taxas hormonais no sangue, quando triglicérides, colesterol e outras palavrinhas da moda insistem na elevação de seus índices, criando na Terra uma vasta colônia de criaturas dependentes de medicações específicas para reversão dos males ocasionados quando do seu descontrole.

Educação física e medicina dão-se as mãos para auxiliar vítimas incontáveis do abuso alimentar. Nutrólogos e cardiologistas avaliam o que consumimos diariamente e como se comporta a bomba cardíaca diante de uma sociedade cada dia mais estressada e ansiosa.

Em muitas dietas, a ordem médica é taxativa: diminuir ao máximo o sal, afugentando a hipertensão arterial. Em outros, cortar o doce e carboidratos, freando a flacidez e os abdômens inflados. Atenção para com consumo exagerado de enlatados. Conservantes e aromatizantes industriais estão lesionando pâncreas e fígado, bem como glândulas endócrinas sensíveis.

Imprescindível sair do sedentarismo. Caminhadas e exercícios diários ao ar livre, buscando alguns minutos ao sol para síntese da vitamina D, já que temos uma sociedade cada dia mais fechada em salas refrigeradas, em contato quase que permanente diante de telas de computadores.

Essas e incontáveis outras recomendações não são novidade para quase todos. Estão em livros, receitas ligeiras de saúde, sites e a internet se tornou o grande tutorial do momento.

Entretanto, se tanto zelo se presta ao condicionamento físico, ao bem-estar do corpo transitório, onde o investimento mais incisivo numa adequada saúde mental e emocional?

Ao lado do atleta, apaixonado por equipamentos sofisticados das academias, a legião de paralíticos mentais, os depressivos contumazes, os ansiosos em agonias íntimas, os reféns do medo.

Enquanto se busca o prato perfeito, equilibrado nos nutrientes indispensáveis, quantas criaturas sedentas de uma palavra gentil, um par de ouvidos que se preste a escutar sem julgamento e sem reprovação e um sorriso de apoio!

A culinária se esforça para melhorar a qualidade dos acepipes consumidos, sugerindo receitas leves, mas outros reclamam receitas de paz para seus estados íntimos de guerra, precisam de trégua em suas vidas agitadas em demasia e de companhia para as existências vazias ou solitárias.

Em tempo algum a internet criou tantas conexões como nos dias que estamos vivendo, e nunca se viu uma massa de solitários e deprimidos como nos tempos modernos!

Os paradoxos chocantes do terceiro milênio.

Enquanto avança a cultura e a cibernética, a nanotecnologia e a informática, a astronomia e a economia, os bolsões de aflitos e despossuídos de si mesmos se ampliam em proporções jamais vistas, alarmando organismos internacionais em torno da saúde mental e emocional da criatura humana.

Urgente se faz uma pausa na ânsia de tudo possuir, para se buscar conhecer-se. Fazer a viagem para o interior de nosso interior, na curiosa construção poética do compositor popular.

Ali, localizar quem realmente somos daquele que aparentamos ser. Redescobrir nossa realidade espiritual.

Entender nossa fugaz passagem pelo mundo.

Impermanência de tudo que é material.

Ter é importante. Ser, é imprescindível.

Localizar em nosso vasto continente íntimo onde está Jesus. Descrucificar o Mestre de Suas traves e com Ele dialogar como se estivéssemos nas margens do Tiberíades.

Ouvir D’Ele que a busca do Reino dos Céus e sua justiça deve ser nossa meta. Tudo mais, virá por acréscimo de misericórdia.

Ressignificar que não vale a pena possuir o mundo, perdendo o domínio da própria alma.

As Martas afadigadas, inquietas na cozinha, e as Marias aos pés do Senhor para aprender com Ele como leve é o fardo, suave Seu jugo.

Cuida de teu burrinho de cartilagens e ossos, ofertando ao mesmo as condições necessárias para desempenho das atividades que te cabem no mundo, mas não relegues a segundo plano o Espírito imortal que tu és, nutrindo-te com vibrações tóxicas e miasmas dessa concorrência brutal dos dias correntes.

És a matéria prima de Deus!

Teu destino é o infinito.

Na escola da Terra estás em regime de ligeira matrícula.

Tudo passa, só o amor permanece.

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 09.09.2022

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