Tens cuidado deste país com zelo?

Teu corpo é tua ferramenta de trabalho no complexo mecanismo da evolução. Máquina admirável, teve suas origens nas primeiras expressões dos organismos unicelulares, que começaram a se proliferar após o protoplasma sofrer a incidência direta do sol, na vastidão dos oceanos salgados.

Dos seres unicelulares, viajando para os pluricelulares, atravessando o reino das trilobitas e dos metazoários, até a presente constituição, necessário foram mais de 2 bilhões de anos, onde o laboratório da natureza aperfeiçoou o veículo físico em pacientes ensaios.

Guelras iniciais sofreram alterações de anatomistas do infinito, evoluindo para brônquios até atingirem a complexidade dos foles pulmonares, secretando atualmente cerca de 6 litros de ar a cada inspiração.

O coração, como órgão mantenedor da oxigenação das mais distantes províncias do corpo, entre uma diástole e uma sístole, repousa ligeiramente, sem nunca se deter, num ritmo que o leva a bater cerca de 5 bilhões de vezes numa existência de 70 anos. Impulsiona, sob poderoso estímulo eletroquímico, uma quantidade estimada de 5,5 litros de sangue, onde se ocultam no plasma bilhões de corpúsculos variados, desde hemácias, glóbulos brancos e vermelhos, células defensoras da imunidade (T Killer) e outros tantos agentes da saúde e da preservação da vida orgânica.

Cerca de 450 mil fios de cabelo ajudam o ser a proteger a tessitura delicada da pele, onde bilhões de glândulas sudoríparas ajudam a refrescar a caldeira orgânica, oscilando essa numa temperatura mediana e estável de 36.5 de graus.

Sessenta trilhões de células regidas pela consciência, a se valer de um cérebro de um quilo e trezentos gramas de peso, onde se ajustam em perfeita harmonia cerca de 100 bilhões de neurônios, a se tocarem via axônios em rede neural fabulosa e inimitável.

E 206 ossos sustentam essa estrutura, mantendo-a de pé por décadas a fio, alguns sem qualquer tipo de comprometimento no campo ósseo ou estrutural.

E no comando dessa máquina estupenda, fascinante, que o estaleiro de Deus elaborou e estruturou em milênios incontáveis, um Espírito imortal, criado simples e ignorante, mas perfectível.

Se ajustando a essa máquina na concepção, dela saindo na decomposição cadavérica, nunca se ausenta da vida, que transcorre em duas situações distintas, que se interpenetram incessantemente: esteja no corpo ou fora dele, se vive!

E a vilegiatura carnal é sublime concessão da Divindade para nosso alavancar evolutivo. Esteja o veículo orgânico sob avarias de natureza genética, hereditárias ou venha a se desestrurar durante a sua utilização indevida, ainda assim merece reverência e gratidão, por ser o exaustor das imperfeições da alma, que no seu périplo evolutivo se permite ações comprometedoras, autorizando que certas limitações se lhe instalem nas engrenagens delicadas, atuando como freios e escudos contra novos abusos e agressões.

As teratologias corretivas dos equívocos praticados.

As fragilidades de órgãos internos, reclamando paciência e moderação para sustento de um frágil equilíbrio das funções.

Atrofia de membros locomotores, sejam superiores ou inferiores, obrigando o ser a desacelerar os instintos e a depender de terceiros, abrindo campo para o cultivo da gentileza e da humildade.

Maravilhosa casa orgânica!

Indescritível computador divino!

Inimitável cidadela de minúsculas criaturas, em ajuste perfeito, servindo ao propósito da evolução incessante.

E no presente tempo, oito bilhões de corpos se agitam na superfície do planeta, buscando atender interesses os mais variados. Muitos, em limitação severa. A grande e esmagadora maioria, em perfeito funcionamento, não obstante as enfermidades ocasionais.

Tens cuidado deste país com zelo?

A governança dele depende de teus pensamentos e vibrações.

Contigo no comando, um instrumento de purificação e serviço. Ausente dele, uma veste imprestável.

Como Jesus cuidava do corpo D’Ele? Não se tem um só versículo ou capítulo na Boa Nova que retrate o Mestre doente.

Uma alma sadia pode ocupar um corpo limitado. Sim, terá doenças, mas não será um doente.

Paulo de Tarso já havia afirmado de maneira luminosa: ainda que o homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova diariamente.

Que tens feito em prol de tua própria renovação interna?

Dependerá de ti a ascese para a vida feliz ou estacionamento nas charnecas da ilusão. Uma certeza, porém, permanece incontestável: na alfândega do cemitério, os corpos ficam. A alma, imortal e indestrutível, prossegue jornada além.

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Senhor do Bonfim, 24.10.2022

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