Que teu silêncio seja mais valioso que tuas palavras.

À medida que desperta pela manhã para os labores previsíveis do dia, o indivíduo está profundamente suscetível de contágio pelas notícias que lhe ferem os sentidos logo cedo. Quase por automatismo, uma expressiva quantidade de homens e mulheres tem necessidade de informes sobre o trânsito, clima e outros fatores que irão interferir no deslocamento do lar ao trabalho ou aos campos do estudo. E essas informações podem ter grande impacto no emocional de cada um, sem que o próprio ser se dê conta.

Os crimes noticiados logo cedo ensejam em muitos forte pessimismo. Os descalabros da política espalham medo e defensiva em incontáveis cidadãos. O noticiário da guerra fulmina a esperança e o noticiário da economia suscita amargura coletiva, sobretudo nos desprovidos de recursos financeiros para fazer face à carestia devoradora.

E ao começar o manejo das redes sociais, ainda nos coletivos abarrotados de gente apressada e irritadiça, ou quando se chega no ambiente escolar ou funcional, o internauta trava contato com futilidades ou notícias desinteressantes, porque distante ou utópicas em relação ao seu mundo real.

Constata-se um consumo desproporcional de informações e notícias extravagantes, muito além da capacidade do indivíduo de digerir todas elas, deletando aquelas de teor ácido, cáustico, evitando que seu morbo pestífero cause danos de consequências imprevisíveis ao equilíbrio emocional.

A falta de hábito das boas leituras, o abandono do livro pelas custosas telas de led e tablet’s tem ocasionado litigioso divórcio com a cultura, extraindo do indivíduo a possibilidade de reflexões sobre as circunstâncias que o afetam diariamente.

Estamos todos sob bombardeio pesado de vibrações antagônicas ao bem-estar e ao equilíbrio. As más conversações, os diálogos chulos e rasteiros tomam conta do cotidiano de milhões de pessoas. A vulgaridade assalta os bons costumes e as reflexões sadias parecem ter se evaporado na era em que predomina a conversa ligeira, o diálogo eletrônico cheio de cifras, emojis e palavras pela metade.

Sorrir virou KKK.

Você foi reduzido para duas consoantes.

Os vídeos curtos parecem dizer mais que os textos.

Os áudios longos são propositadamente acelerados porque a impaciência do escutador não pode se dar ao luxo de ouvir a gravação no seu tempo real de confecção.

A sociedade ansiosa tem pressa de correr, correr e chegar em lugar nenhum.

Quando os encontros presenciais se dão, com as devidas exceções, os assuntos dominantes não são os avanços morais, a superação de vícios e as boas notícias. De imediato, a política ou o futebol, a economia ou os dramas familiares se fazem tábua rasa das conversações, nem sempre tratados com a consideração devida.

Certamente que o exposto não se aplica a todos os casos, ocorrendo em muitos momentos, sejam virtuais ou presenciais, o enlevo de dois amigos que amenizam a saudade imposta pelo distanciamento social. Duas amigas, mães de família, a permutarem impressões na educação de filhos e na convivência com seus respectivos parceiros, em saudável troca de experiências. Amigos do mesmo condomínio, colegas de trabalho, estudantes da mesma universidade possuem motivos de sobra para ricos saraus de conversa que ameniza a aridez desses dias difíceis.

E quão rico ficariam esses diálogos se Jesus igualmente fosse tema das tertúlias entre os homens?

Qual seria a postura do Mestre face aos descalabros da vida moderna?

Como Ele agiria ante a desmoralização desse ou daquele vulto da política? Que conselhos daria aos atingidos pelo desemprego, vitimizados pela miséria impiedosa ou desenganados pela medicina, face a um diagnóstico tido como irreversível?

Trazer a mensagem da Boa Nova para o centro do debate moderno poderia em muitos soar como anacronismo de religiosos fanáticos, proselitismo barato numa época de igrejas lotadas de desesperados e desenganados pelo mundo.

Alguns admitiriam a inoportunidade de se tratar de assuntos religiosos numa sociedade que se afirma laica, não obstante um templo em cada rua.

Sim, não estamos propondo que essa ou aquela rama de fé religiosa faça da roda de amigos arena de convencimento compulsório ou cadafalso de lavagem cerebral. Situamos Jesus no centro de nossas inquietações diárias como possibilidade de repensar e refletir sobre o impacto que teriam em nossas vidas agitadas a adoção de Suas diretrizes éticas.
Elevação da palavra dita.

Ouvidos mais atentos à narrativa alheia, propondo alguma saída do labirinto onde muita gente se encontra perdida.

Permuta de boas notícias e troca de emanações de otimismo em meio a uma guerra desproporcional de fake news.

Precisamos entrar num colóquio com interesse e sair dele com proveito. Já foi dito pelo apóstolo Paulo que as más conversações corrompem o caráter e desfiguram a honra.

Se tens em teu mundo íntimo a presença viva de Jesus, educa tua língua quando chamado a opinar.

Dilata teu escutar para entender o que o outro quer dizer.

Consultado sobre esse ou aquele tema delicado, procura enxergar o lado bom da questão.

Constrangido a opinar sobre algo que desconhece ou não domina, sê honesto e declina de expor o que não sabes.

Que teu silêncio seja mais valioso que tuas palavras.

E quando a dúvida te assaltar nessa ou naquela situação em que os olhares se voltem para o que vais dizer, pensa o que diria Jesus se estivesse em seu lugar.

Fazes o mesmo que Ele faria, sacode o pó de tuas sandálias e segue adiante.

Mais à frente tem outra roda de conversa.

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 06.09.2022

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