…que adianta ao homem ganhar o mundo e perder a sua alma?

Não se pode ignorar os impressionantes avanços da ciência no século findo, formatando uma sociedade tecnológica e rica de cultura acadêmica. As admiráveis teses da Física, da Química, da Biologia e de outras cátedras foram exponencialmente amplificadas, abrindo espaços para arrojadas expedições científicas, ofertando ao homem sedento de conquistas dilatados horizontes de investigação, que trouxeram indiscutíveis benefícios à civilização.

Enfermidades diversas foram eliminadas por campanhas sanitárias e vacinas eficazes.

Meios de transporte se somaram aos já existentes, tornando a comunicação e o comércio entre os povos mais fáceis e rápidos.

Os correios foram enormemente melhorados, culminando, na atualidade, nas intensas conexões pela internet, obtendo extraordinários avanços no diálogo virtual de polo a polo.

Outros campos do saber e da convivência passaram por admiráveis modificações, sempre buscando facilitar ao ser humano o domínio da matéria, o manejo das forças da natureza e sua adaptação às necessidades sociais, mediante o lucro. Entretanto, se por um lado a tecnologia e a ciência nos favoreceram com tamanhos louros, as problemáticas de natureza emocional e psicológica nunca foram tão gritantes como nos dias que atravessamos.

A depressão tornou-se um flagelo.

A ansiedade devasta milhões de vidas.

O vazio existencial tem dizimado a esperança.

As neuroses explodem, periodicamente, como surtos inesperados em indivíduos aparentemente equilibrados.

Psicopatas desafiam as ciências da psique, que nem sempre conseguem elucidar onde termina a sanidade e começa a loucura.

Transtornos diversos, de difícil catalogação, manifestam-se no seio da família ou em plena vida comunitária, inquietando os demais. Estatísticas de suicídio, aborto, eutanásia e delitos vários são discutidas por especialistas e autoridades respeitáveis, sem que haja um consenso sobre suas causas e como reverter esse estado de desequilíbrio do homem.

Proclama-se que estamos sofrendo a inadaptação ao ritmo acelerado da tecnologia que nós mesmos criamos. As exigências da vida moderna estão nos arrastando para um abismo de alienação, dizem outros.

Falta de Deus no coração, asseguram religiosos.

Perdemos o senso ético, asseveram estudiosos.

Seja o que for, inegável reconhecer que nunca tivemos tantos recursos disponíveis para uma vida material cômoda e segura. Os avanços sobre a matéria nos revelaram segredos que o átomo ocultou por milhares de anos. As viagens ao espaço nos abriram uma fronteira jamais prevista no passado.

Entretanto, quem somos nós?

Qual realmente o objetivo existencial?

Alguma coisa existirá além das cinzas do túmulo?

Sobreviveremos além da anóxia e da cianose cerebral?

Tremendas interrogações, aguardando o homem das estrelas e a mulher das passarelas. Inquietantes reflexões esperando que cada um faça pausa na sua corrida pela sobrevivência para responder a si mesmo.

Enquanto as buscas externas forem prioridade, o mundo interior ficará ao abandono.

Sem o autoconhecimento, qualquer extra conhecimento será passaporte para a alienação e a vertigem emocional.
Ter consciência do chão que pisa, mas igualmente saber de onde procede espiritualmente e para onde vai após a travessia da aduana do cemitério.

O Divino Psicoterapeuta já nos advertira há dois mil anos: que adianta ao homem ganhar o mundo e perder a sua alma?
Refletindo sobre tua presença no mundo, talvez chegues à conclusão de que estais na fronteira sutil entre a loucura e a sanidade. Contemplas a volúpia de muitos em dominar o meio e os outros, negligenciando o próprio domínio.

Observas, com crescente preocupação, a impaciência e neurastenia assaltarem muitos.

Qual teu papel no seio deste largo manicômio chamado Terra?

Como disciplinar a manada de búfalos na louca corrida pela posse do mundo?

Estás desafiado pelas circunstâncias a te posicionar.

Com Jesus não vale a posição de neutralidade. Quem com Ele não ajunta, espalha.

O omisso no bem autoriza o domínio do mal e dos maus.

É imprescindível descer do muro do conforto para as zonas de conflito aberto, acendendo alguma luz para os cegos, levantando caídos, medicando feridas da alma e ministrando algum sedativo à inquietação generalizada.

Estiveste até agora na posição de admirador da doutrina do Crucificado. Ele te chama suavemente, como fez ao apóstolo inquieto:

– Pedro, se me amas, apascenta minhas ovelhas!

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 11.06.2021

 

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