Quais as tuas respostas?

Em uma frase audaciosa e profundamente reflexiva, o ensaísta alemão Bertolt Brecht afirmaria: “Há homens que lutam um dia, e são bons; há outros que lutam um ano, e são melhores;

Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;

Porém há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”.

Em derredor de nossos passos invariavelmente elegemos alguém que se destacou ou ainda permanece compromissado com um ideal que inspira exemplo de dignidade e fidelidade. E como estão se tornando raros esses paradigmas!

É bem possível que tenhamos muito mais condições de indicar aqueles que desistiram das tarefas abraçadas, se afastando da seara dos próprios testemunhos, buscando uma retaguarda onde a navalha da crítica e o estilete da zombaria não floresçam na convivência desses desistentes.

Anotamos, algo desapontados, aquela dama que abandonou a caridade para fugir ao assédio de homens enfermos no campo do sexo. Registramos, desiludidos, aquele abnegado que proclamou estar farto de semear o bem e somente encontrar o escalracho da intriga e da hipocrisia.

Admiramos aquele que investiu alguns anos numa tarefa de reabilitação de muitas vidas, mas de repente desistiu de prosseguir, alegando falta de recursos e deserção de companheiros afins ao ideal abraçado.

E quando um modelo desiste de continuar investindo nas tarefas da iluminação alheia, socorrendo e auxiliando, as sombras estendem seu domínio sobre muitas existências, a anarquia moral e social parece triunfar e os admiradores parecem se convencer de que o bem é de simples contágio passageiro.

Os abnegados por um ideal a vida toda são escassos.

Os que perseveram numa meta que não os exaltam na ribalta da vaidade são poucos.

Quase sempre notamos que muita gente possui excelentes discursos e projetos maravilhosos na exaltação do nobre e do belo, mas quando se veem defrontados por forças contrárias, sopesam prós e contras, vantagens e desvantagens e alguns pulam do barco da filantropia, buscando terrenos de menor exposição à pedrada alheia.

Em muitas circunstâncias do caminho, para fazer o mal não localizamos muita dificuldade e comparsas surgem de todos os lados, se associando espontaneamente ao sinistro propósito, mas quando o bem é cogitado, o cansaço se insinua, a fadiga desestimula, associados dão desculpas para o não comparecimento e os recursos parecem secar na fonte frágil.

Por que os investimentos em guerra e armamentos são tão vultosos e na educação e saúde são tão escassos?

Como entender que uma região permaneça desassistida por décadas dilatadas, produzindo sofrimento e agonia em seus moradores, enquanto vastas somas são canalizadas para obras perfeitamente passageiras ou exaltadoras da presunção de gestores inescrupulosos?

Numa sociedade ainda muito carente de paradigmas no bem, sobram maus exemplos, gerando desencanto e desistência precoce nas fileiras do soerguimento da dignidade humana.

Francisco de Assis perseverou até a completa exaustão do corpo no afã de resgatar, em plenas sombras da Idade Média, o ideal de Jesus.

Madre Tereza de Calcutá fez de sua existência um poema de exaltação da abnegação e das renúncias ao gozo material.

Mahatma Gandhi nunca se deteve enquanto não enxergou paquistaneses e indianos livres do jugo da coroa britânica.
Francisco Cândido Xavier tornou-se um modelo de disciplina, fidelidade e consolação para milhões de outras vidas, doando a sua para acalentar os tristes e desesperados com sua mediunidade exuberante.

E o maior modelo e guia que Deus já ofertou ao mundo não encontrou qualquer facilidade na Sua curta estadia entre os homens. Nasceu num berço rústico, tinha como pai um modesto carpinteiro e logo em seguida ao nascimento teve que fugir com a família para um país distante, salvaguardando a própria vida.

Nada possuindo de posses, se fez fortaleza moral para incontáveis existências.

E no final do curto messianato entre os irmãos equivocados, aceitou o madeiro infamante e dele fez símbolo de fidelidade a um ideal que conquistou o mundo e alterou os rumos da história.

Tens algum ideal?

Abraçaste algum projeto iluminativo, teu ou de outrem?

Quanto tempo perseveraste naquele sonho acalentado?

Em constatando o abandono de amigos e parceiros, ficaste solitário no resto do barco que sobrou ou igualmente preferiste o ancoradouro na ilha da fantasia?

As respostas são todas tuas.

Só não te esqueças de que se estamos de pé até aqui é porque Ele nunca desistiu na tarefa abraçada, aceitou morrer de braços abertos numa cruz e retornou do sepulcro para injetar otimismo e confiança no colegiado, nos assegurando que estaria conosco até o fim.

E esse fim ainda não chegou. Tuas tarefas no bem começaram ontem e as D’Ele prosseguem a milênios sem fim.
Seja Jesus teu perene sócio nas empreitadas de amor e luz, fazendo claridade nova em muitas rotas perdidas.

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 27.03.202

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