Os contrastes de um planeta em transição…

Parecerá profundamente paradoxal ao observador atento o atual cenário da Terra em ciclópicas convulsões de toda ordem. Por toda parte a crise parece ter se instalado, sem prazo de saída da convivência com os homens.

Enquanto seleto grupo de criaturas humanas detém fortunas incalculáveis, multidões de esfaimados estorcegam na mais aviltante miséria, percorrendo as ruas à cata de lixo para sobreviver.

Os palcos do glamour estão refertos dos que sorriem na abundância e na plástica impecável de corpos, fazendo loas à beleza passageira, esculpida em caras academias de ginásticas. E nos manicômios e casas de saúde mental milhares agrilhoados ao eclipse da razão, corpos em putrefação em leitos de dor e filas imensas dos cativos da fome.

E mesmo sob os estertores de dias cinzentos e noites de amargura, o ser humano observa que a natureza, parecendo ignorar a dor das criaturas pensantes, elabora amanheceres cheios de sol, tardes poéticas e madrugadas salpicadas de estrelas.

As enfermidades cruéis vitimam milhares e pássaros prosseguem cantando. A injustiça ceifa a esperança de muitos e os campos explodem em flores mil.

Os contrastes de um planeta em transição…

Herdeiros de nós mesmos e de nossas milenares construções no campo moral, ora atravessamos rude período de provações coletivas e resgate de bilhões de consciências comprometidas com as sombras. A dor e o sofrimento, sob variados aspectos, grassa com força inaudita sobre a morada de homens e mulheres, a maioria esmagadora em rudes pelejas evolutivas.

E não obstante as dificuldades do caminho, ninguém ao desamparo da Divindade ou ao arrepio da Lei. Cada um porta e carrega sua cruz de testemunhos na estrada da própria evolução.

As pequenas alegrias são refrigérios em meio à tormenta. Os amigos sinceros e fiéis são mourões que nos sustentam quando se nos ameace o desfalecimento em meio à tempestade de conflitos e amarguras.
A prece revitaliza o ser que ameaça desistir da boa luta.

Benfeitores e mentes luminosas situadas além da cortina física inspiram ideias nobres e amparam os seus afetos nos instantes mais dramáticos da jornada.

Em meio ao barulho que aturde e a algazarra que apenas distrai as consciências frágeis dos deveres austeros que lhes cabem no concerto da vida, importa ouvir a voz íntima, que jaz esquecida por muitos.

Refazer caminhos.

Abandonar vícios.

Sorrir em meio à crise existencial e alavancar a caminhada com renovados esforços.

Não permitir a hora vazia, preenchendo o tempo útil com atividades iluminativas.

Menos tempo em redes sociais e mais tempo ao lado dos livros esquecidos na estante.

Ajuda desinteressada aos menos favorecidos. Engajamento em algum labor ou projeto que promova a cidadania nobre.

Tornar-se um doador em alguma área de interesse, saindo da postura de mero receptor.

Há tantas alternativas para se fazer do dia um poema de serviço ao próximo, que teríamos muito menos tempo para reclamar e apenas aguardar providências do outro.

Não basta estar no mundo. É preciso atuar no mundo, sendo protagonista da própria história, abandonando a coxia da expectativa e subindo ao palco para viver seu próprio papel.

Nenhum trabalho te dignifica. Tuas atitudes dentro dele é que dignificam a tarefa que te foi confiada pelo alto ou pelos homens.

Não aguardes reconhecimento dos demais para teus empreendimentos. Tua consciência deve ser teu principal juiz.
Abra mão dos aplausos e das homenagens do mundo. Alto é o preço que se paga pela fama e não foi para isto que o Cristo te chamou.

Ergue-te de teu desalento e toma teu arado dentro das paredes do lar. Começa por higienizar o ambiente onde respiras. Coopera de alguma forma, diminuindo a fadiga dos outros. Torna tua viciação em criticar energia direcionada para colaborar com alguém próximo de ti em maiores dificuldades que as tuas.

A vida te apresenta diariamente convites para que sejas semeador da esperança e emissário da alegria.

Não aguardes segunda via da jornada física para pavimentar tua estrada para a luz. Teu melhor momento é hoje.
Amanhã pode ser tarde.

Nunca descreias da Justiça ou da Sabedoria de Deus. Estás no lugar certo, no ambiente adequado e com as lutas indispensáveis ao teu aperfeiçoamento intelecto-moral. Não estás submetido a uma loteria biológica ou a uma fatalidade irresponsável.

És hoje o que te fizeste ontem. Teu amanhã será reflexo do teu hoje.

Ama. Perdoa. Trabalha. Espera.

Com este quarteto, vencerás!

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 27.06.2021

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