O Consolador Prometido e a Ação dos Espíritas

Assim começa o texto evangélico em S. JOÃO, capítulo XIV, vv. 15 a 17 e 26: “Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco” e Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VI, O Cristo Consolador, desenvolve:

O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas. Advertiu o Cristo: “Ouçam os que têm ouvidos para ouvir.” O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores.

Portanto, está bem claro que o Espiritismo é o Consolador prometido por Jesus. Do desenvolvimento feito por Kardec chama a atenção o último trecho, que um dos objetivos, motivos para ele existir, é o de “trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem”.

Mas o Espiritismo se faz através da ação dos espíritos encarnados e desencarnados. É dessa associação, proposta pelo Espírito de Verdade, logo na mensagem “Advento do Espírito de Verdade”, em Instruções dos Espíritos, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando diz “Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, porquanto não existe a morte, vos socorrais mutuamente […]”.

E quanto bálsamo há para se distribuir, quantos lamentos há para se acalmar, quantas dúvidas há para se esclarecer entre aqueles que não professam a Doutrina Espírita, ou que a professam, mas não a entenderam e caem no desespero devido aos infortúnios da vida. Infortúnios que poderiam ser evitados devido a imprevidência, da irreflexão, ou outros, que não podendo ser evitados, por serem a consequência de atitudes equivocadas, geradas em vidas passadas, e que precisam ser corrigidas na encarnação atual através da paciência e resignação à vontade de Deus. Mas, por toda parte encontra-se quem necessite de uma palavra amiga, de um conforto ao coração, de uma justificativa plausível para as ocorrências não compreendidas e não aceitas e que são atribuídas à mão de um Deus injusto e vingativo.

Os “Espíritos do Senhor”, estando no mundo material ou espiritual, têm a obrigação de estar prontos para o trabalho quando forem instados a contribuir com a obra do Cristo, desempenhar a tarefa a contento.

Nas instituições espíritas o adepto da doutrina tem a obrigação de se preparar, intelectual e moralmente, para desempenhar a tarefa que lhe cabe – servir de apóstolo tardio do Cristo, a distribuir consolações e esperanças.

Contudo, não basta apenas frequentar um centro espírita, participar das atividades de estudo e/ou mediúnicas se delas não se tira o aprendizado necessário para servir de instrumento dos bons Espíritos que buscam lenir o coração dos deserdados do mundo. Não basta dizer que se acredita em Deus, ou nos espíritos, se não se exemplifica através de ações seja no seio familiar, no trabalho ou na sociedade em geral. De que adianta, estar numa instituição, relacionar-se com os companheiros de credo, receber os frequentadores com mansidão e cordialidade, falar de transformação aos espíritos desequilibrados, se ao sair simplesmente vira-se as costas àqueles que o buscam, por desconhecimento ou por medo da retaliação dos maus espíritos.

Há pessoas que não vão a velórios por receio de atraírem os espíritos que vagueiam nos cemitérios. Pode-se perguntar onde está a caridade, que é tão propalada quando se está dentro das instituições – deve ficar trancada quando saem dos centros! Além disso, onde está o estudo da mediunidade e a conscientização mediúnica, para se precatar contra as investidas dos espíritos, seja em qualquer local onde se encontre. Esquece-se que o espírito “sopra onde quer”?

Para se exercer qualquer tarefa é preciso estar-se preparado e preparação significa ter o conhecimento, ter fé em Deus, vontade firme de se fazer o bem e proceder conforme as premissas evangélicas, para obter-se o amparo dos bons espíritos.

Na pergunta 165 de O Livro dos Espíritos, no item que fala sobre “A perturbação espiritual” após o desencarne, Kardec questiona: “O conhecimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração, mais ou menos longa, da perturbação?” e os espíritos codificadores respondem, clarificando o tema: “Influência muito grande, por isso que o Espírito já antecipadamente compreendia a sua situação. Mas, a prática do bem e a consciência pura são o que maior influência exercem”.

A tarefa de propagadores do Espiritismo deve ser exercida em qualquer lugar que estejamos. Não temos que fazer qualquer tipo de proselitismo, a Doutrina tem força suficiente e não precisa desse tipo de postura, mas não nos cabe ver o sofrimento alheio e passar ao largo. No capítulo Bem-aventurados os aflitos, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 26 – Dever-se-á pôr termo às provas do próximo? – após diversas proposições sobre a postura que se deve ter diante do sofrimento alheio, o Espírito diz qual a postura adequada:

“Vejamos que meios o Pai misericordioso me pôs ao alcance para suavizar o sofrimento do meu irmão. Vejamos se as minhas consolações morais, o meu amparo material ou meus conselhos poderão ajudá-lo a vencer essa prova com mais energia, paciência e resignação. Vejamos mesmo se Deus não me pôs nas mãos os meios de fazer que cesse esse sofrimento; se não me deu a mim, também como prova, como expiação talvez, deter o mal e substitui-lo pela paz.”

Portanto, arregacemos as mangas e vamos ao trabalho, a seara é grande e o número de necessitados aumenta a cada momento. Não podemos fingir que não é conosco que eles contam, pois, a tarefa nos foi dada pelo Mestre e aceita por nós mesmo antes de encarnarmos.

Por Eduardo Souza, membro do Ideba.

317 Visita(s) a esta matéria.