Não te aflijas. Silencia e prossegue.

Existem momentos na jornada dentro da escola terrestre em que o aluno da vida se enxergará profundamente só. Procurando em derredor de si os amigos de outrora, localizará apenas o grande silêncio.

Começaram a marcha ao nosso lado, mas não ficaram quando surgiram os dias de provação e testemunhos. Se tínhamos de navegar no mar alto das próprias experiências, eles igualmente foram constrangidos a desviarem o barco da vida em direção a um porto que lhes estava destinado.

Nos veremos, então, solitários em meio à noite caliginosa, fechada e chuvosa. Indescritível sensação de abandono nos invadirá a alma opressa.

Para onde seguir?

O que nos aguarda nas horas seguintes?

Como vencer a tormenta que desaba, impiedosa e destruidora?

Nenhum Espírito vinculado aos círculos evolutivos da Terra se furtará aos testemunhos indispensáveis ao seu crescimento, e nem sempre a vida enviará aviso prévio das lutas que nos serão propostas. Os amigos e companheiros afetuosos podem nos acompanhar em certos trechos da jornada, mas terão que se ausentar das provas que são nossas, atendendo aos ditames da evolução, que os convocarão ao exame que lhes é próprio.

A aula pode ser comum a todos os aprendizes, mas no dia da prova esta será individual, aferindo a competência e o aproveitamento de cada um.

Aos dias de alegrias sucedem semanas de dores.

Após meses de navegação fácil sobrevém madrugadas tempestuosas em mar revolto.

O riso se vê substituído pela lágrima, a calmaria vira tormenta e o doce convívio com os amigos da primeira hora se transformam em solidão de árdua digestão.

É o tempo da aferição de valores individuais.

A crise incomoda, a mudança inquieta e a dificuldade desanima, mas são por estas ferramentas que a Divindade nos aprimora e lapida, fazendo emergir o diamante que somos em meio ao cascalho grosseiro do mundo.

Nenhuma ascensão se fará sem lutas.

Conhecimento algum será adquirido por osmose.

Qualquer subida aos cimos da vida exige esforço e determinação para que o cume da montanha seja alcançado.

E a solidão se apresenta em muitas ocasiões como excelente oportunidade de poda nas teias das amizades que seguiram conosco até ali, algumas das quais se mantinham como sanguessugas de nosso plasma emocional, escoradas em nossa vitalidade de sentimentos, receosas das adversidades da estrada. Agora, desgarradas dos mourões onde se acomodavam, preguiçosas, deverão se erguer do ócio voluntário e marcharem ao toque dos clarins que anunciam as lutas que cabe a cada um enfrentar.

Em chegando o momento grave do messianato a que se propôs junto aos homens, Jesus buscou refúgio no horto, onde comungou com as forças que nunca dormem e jamais O abandonaram em Seu périplo de iluminação das criaturas terrestres.

Naquele momento dramático, Judas tramava com o sinédrio a traição infame.

Pedro temia se dizer D’Ele seguidor.

Os demais receavam as horas vindouras, incertas e imprevisíveis.

A sós, com Deus, Ele enfrenta a turba enlouquecida e obsidiada e avança para Seu martírio, padecendo entre ladrões.
Três dias após, ressurge ao frescor de um jardim e se faz anunciar às mulheres aturdidas.

A ressurreição se fizera plena e Jesus Cristo retornava ao convívio temporário para indicar a cada um sua tarefa: semear em terras áridas o trigal do pão espiritual, espargindo a esperança e a fé.

Se ainda não fostes, serás convocado aos testemunhos em breve.

Quem te aplaudia, apedrejará.

Quem te sorria, te voltará o rosto em escárnio.

Quem antes te acolhia, fechará a porta aos teus apelos.

Quem antes te defendia, te acusará, atento aos próprios interesses.

Não te aflijas. Silencia e prossegue.

Não te aconselhe com o desespero. Espera.

Perceberás que nenhuma força do mundo pode deter o novo dia, a rasgar a alva em deslumbramento de cores, dissolvendo a madrugada escura e triste.

Tens amigos que se ocultam além do véu da matéria densa, a te ofertarem suporte e apoio nas horas das inadiáveis provações. Começaram a marcha contigo e a encerrarão quando o espesso rio de lágrimas te lavar as impurezas morais, abrindo-te luminosos portais para o infinito.

Estarás, enfim, redimido.

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 14.05.2021

 

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