Muita falta faz Jesus no coração da criatura humana

Em meio ao ambiente saturado de vibrações antagônicas, o esforço da Divindade prossegue sempre, tentando auxiliar a criatura humana a encontrar bem-estar e saúde nas trilhas da evolução. Indiscutível reconhecer que nos últimos dez milhões de anos, tempo estimado em que a forma orgânica vem se expressando do macacóide ao homo sapiens, o esforço de crescimento tem sido gigantesco e as lutas contra os arrastamentos tem se caracterizado por embates de vulto.

Se por um lado o homem se fez instruído e culto, não necessariamente alcançou a sublimação dos sentimentos e o refino das emoções, permanecendo ainda refém dos apetites mais grosseiros, atento aos próprios interesses.

Dissertou, preciosamente, sobre os mais intrigantes assuntos da filosofia e da matemática, da biologia e da arqueologia, mas nem sempre conseguiu se forrar ao jogo sombrio do rebaixamento moral e fez da hipocrisia máscara, afivelando-a ao rosto para ocultar sua própria desonra.

Ainda falta muito no campo moral. Contra nossas pequenas, porém, significativas iniciativas no terreno das nobres ações, nos tempos presentes, temos que considerar os séculos em que nos abastardamos no mal, dando pasto à nossa insensatez e loucura.

Religiões diversas foram elaboradas com esmeril e carinho, e dentro delas hipotecamos fidelidade e compromisso com as forças de mais alto, mas assim que nos víamos em zona de conforto ou arrojados a calamidades no campo existencial, buscamos pactuar com forças sombrias, em atendimento de prazeres fáceis ou escadas mágicas que nos arrancassem da miséria e da escassez.

E isso nos custou e vem custando um alto preço.

Uma grande maioria deseja a conquista do Reino dos Céus, mas não se mostram dispostos a abandonar o leito das ilusões terrestres.

Sonham com as moradas felizes, além das aparências enganosas da craveira terrestre, mas o cheiro da carne defumada e a viciação dos sentidos perduram como grilhões irresistíveis, chumbando incontáveis almas aos instintos primários.

Por isso mesmo, o esforço de mentores e guias prossegue intenso no mundo, amparando qualquer réstia de boa vontade, qualquer migalha de auxílio fraterno, tentando acender débil claridade na noite escura da alma.

Não se pode aguardar atitudes heróicas de personalidades que ainda ensaiam os primeiros passos na obtenção da própria humanização, crivados de exigências materiais, às quais são milenares ocorrências, repetitivas e cruéis.

Persegue-se a paz, se fazendo a guerra. Cuida-se do domínio do outro, ignorando o próprio domínio.

Ergueram-se formidáveis bibliotecas e academias, liceus e universidades, onde o saber diluiu a ignorância, mas a tirania se fez algoz na intimidade doméstica ou o despotismo se entronizou na política ou no comércio, esmagando a simplicidade e a liberdade de pensamento.

Ora se avançou a passos de gigante, parecendo em alguns momentos históricos que estávamos em marcha ré, tamanha a ganância e a cupidez na posse das coisas do mundo, olvidando as conquistas sacrossantas da alma em penúria de valores.

Esse permanece um quadro persistente de nossa evolução deficitária, ainda muito marcada pelo muito falar ou escrever, mas empobrecida de atos.

Interesses rasteiros nos agrilhoam ao chão da Terra.

Berço e túmulo se renovam, incessantemente, sem que muitos viajantes se dêem conta da oportunidade recebida e desperdiçada.

Valores eternos são desprezados. Investimentos na aquisição de nobres sentimentos são adiados indefinidamente, desviando-se preciosas forças na insana corrida pelos títulos passageiros. E logo se tenha, o ser percebe que outro possui mais, reiniciando o ciclo da disputa e da competição de egos, onde a fome de afeto e de compreensão se agitam, desidratando inúmeras vidas.

Em tempo algum tivemos tamanha crise de valores como nos dias modernos. Se muito avançamos no item da cultura e da tecnologia, impostergável se faz inserir o refino do sentir na pauta das aquisições urgentes.

A falta de amor tem ceifado muitas vidas. A perda do sentido existencial tem sido o algoz implacável de milhões de pessoas. Suicídio e depressão se tornaram irmãos siameses. Ansiedade é terreno comum a todos. Medo e angústia avassalam homens e mulheres, lhes furtando o sono diariamente.

Muita falta faz Jesus no coração da criatura humana. Crido, tem sido nível de muitos disparates no terreno minado da manipulação religiosa, atendendo escusos interesses de sacerdotes remunerados. Falado, comentado, tem se transformado em panacéia barata para atendimento e libertação dos males corporais, com lastimável menosprezo aos dramas não vistos da alma.

Urgente se faz um resgate de Sua mensagem libertadora.

Atualização de Seus ensinos e vivência de Suas diretrizes luminosas no cotidiano, fazendo de Sua biografia modelo e guia para as vidas que deambulam nos círculos evolutivos do planeta de nosso tempo.

Até que consigamos a superação dessas teias escravizantes do pretérito de erros e equívocos, nosso presente claudica e nosso futuro se converte em pesadelo.

Se acalentas algum mínimo propósito nobre, se tens algum ideal que te baila no coração, se carregas algum sonho que promova a dignificação da pessoa humana, busca ainda hoje atender esse mister.

Teremos sempre um novo dia, nova aurora surgirá a cada manhã, esbatendo as sombras da madrugada teimosa, mas ninguém se equivoque ou finja que ignora: oportunidade igual a de hoje, nunca mais!

Autores: Marta e Áulus (Espíritos)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 15.09.2022

68 Visita(s) a esta matéria.