Levanta-te!

Numa época de intensos contatos humanos, seja presencial ou pelas redes sociais, permanece o desafio de se desnudar o indivíduo das inúmeras imagens que posta sobre si mesmo, tentando ocultar dos demais os conflitos que atravessa nas trilhas dos próprios desafios.

Invariavelmente temos nos aplicativos o uso intenso de meios que tornem a imagem remoçada, arrancando expressões de marca e ocultando os sinais que o tempo vai imprimindo na máscara facial. Existe uma árdua luta do ser humano contra cronos, buscando se preservar no vaso orgânico como se este fosse de aço inoxidável e pudesse reter seu inquilino por milênios sem fim.

E, ao lado da decomposição paulatina da maquinaria física, estojo de evolução da alma, muitos buscam disfarçar os conflitos de uma agitada e ansiosa sociedade, onde a disputa de espaços de poder, autoridade transitória, fama e destaque parecem ter se constituído em metas existenciais.

A ansiedade que a muitos devora é canalizada nas academias de ginástica, se buscando em complicados aparelhos o desgaste da energia que se acumula nas tensões do cotidiano.

A depressão é escondida em fugas para aditivos químicos ou viagens incessantes, tentando na anestesia dos sentidos e no espairecimento contínuo a diluição do estado perturbador que se agiganta de instante a instante.

O pensamento acelerado leva multidões ao esgotamento prematuro das forças, diminuindo a libido em homens e mulheres, abrindo inevitáveis campos de atrito nas relações afetivas e íntimas entre parceiros e cônjuges.

Alguns buscam a adesão a doutrinas religiosas, onde supostamente forças superiores o arrancarão, sem esforço pessoal, dos estados de inquietação e angústia, tão somente pela leitura de textos religiosos e exaltação em salões abarrotados de devotos igualmente ulcerados por chagas íntimas, não vistas.

Até quando o ser fugirá de si mesmo?

Em que momento se decidirá olhar no espelho e enxergar além das aparências?

Quando a dor ignorada passa a inviabilizar a convivência, dificultando a própria sobrevivência, alguns se decidem pela impostergável viagem interior, decifrando esse enigma chamado ser humano. Começa um aprendizado que foi relegado pela grande maioria a plano secundário, cobrando do ser a mudança de paradigmas e de metas existenciais.

O Espírito passa a vigorar como o centro das atenções.

A morte é estudada sem os crepes sombrios da destruição final ou simples acomodação do ser em um céu de ócio eterno ou um inferno de tormentos sem término.

Ganhar o mundo passa a não ser mais cogitado com tanta volúpia, e o aprendiz investe mais energia no autoconhecimento e na conquista de seu mundo íntimo.

O outro, que o agride, é visto como um enfermo da alma, credor de misericórdia e compaixão porque ainda se desconhece. Aquele que nos orienta e aconselha torna-se um simples orientador, sem o panegírico como se fosse a verdade absoluta.

O discernimento firma a responsabilidade.

A maturidade acorda a ética.

A fiscalização deixa de ser sobre terceiros e se volta para o próprio ser, que busca ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje.

Crenças são mantidas até que a certeza as descarte como obsoletas.

O mundo é enxergado como uma grande escola, onde tem lições a cada instante, e não como uma avenida onde o carnaval do fingimento esconda cada folião na mortalha ou no abadá da insensatez e da hipocrisia.

Começa um novo ciclo para o ser que se desvelou perante si mesmo.

A mensagem de Jesus vergasta-lhe a intimidade, o divorciando das coisas passageiras para lhe promover o consórcio com a natureza divina, ínsita em cada ser.

Mesmo que pessoa alguma saiba, atravessas teu momento de dificuldades e lutas. Buscas te afastar de quem possa te ajudar ou criar maior empecilho. Temes revelar que não és aquele que todos enxergam diariamente.

Tuas fragilidades te assustam. Teus temores te inquietam.

Não és um bandido, nem tão pouco um herói.

És uma alma em luta contra as próprias imperfeições. Agora sabes onde estás e o que vieste fazer na escola terrestre. Tens alguma consciência de teus limites e possibilidades. Ainda carregas algemas do passado e receias o futuro.

És um que acordou para o significado existencial. O Cristo tocou tua fronte e te chama para a seara vasta, onde tua melhoria pessoal tem prioridade máxima. E servindo e passando, verás a cada dia como a vida é diferente.

Levanta-te!

Se Ele te chamou, tens algo a fazer e o tempo urge. Aproveitá-lo se faz inadiável.

Amanhã, pode ser tarde demais.

 

Autor: Marta (Espírito)

Psicografia: Marcel Mariano (médium)

Salvador, 13.03.2022

248 Visita(s) a esta matéria.