Lembra-te, uma vez mais, do herói da cruz

Situado em um tempo de gritantes contrastes, observas o triunfo dos ímpios e sagazes, enquanto as multidões de famintos se multiplicam nas ruas.

Constatas a derrocada da ética nesse ou naquele vulto de projeção, onde o discurso, muito bem elaborado nos lábios se faz arrebatador, mas não consegue ocultar a podridão moral em que este se encontra mergulhado.

Buscas no cenário da convivência alguém que te inspire confiança, mas quase todos os teus modelos estão assinalados pelo conchavo com as sombras ou se fizeram reféns de grupos unicamente interessados em defender pautas do egoísmo.

Olhas, com imenso desapontamento, o campo religioso de teus dias e constatas a pregação num sentido e a vivência em outro, te produzindo asco e desencanto crescente.

E se visitas as páginas da história remota ou recente, lá está a galeria dos que fizeram de suas vidas verdadeiro apostolado de abnegação e serviço a causas humanitárias.

Sócrates, pelas ruas de Atenas, instruindo a juventude sobre ética e filosofia.

Péricles, o notável estadista, insuflando as massas na construção da democracia.

Moisés, conduzindo o povo na busca da terra prometida, entre a canícula do deserto e os cânticos de esperança.

Mais tarde, bem mais tarde, Martinho Lutero e suas lutas pela reforma de sua igreja, que havia se divorciado de Jesus. Jan Huss e sua pregação contínua em favor da revivescência do Evangelho na sua pureza primitiva.

Os heróis das artes, da música, da ética, da religião e da política. Passaram…

Teu olhar tenta enxergar um paradigma que arranque as massas da letargia, que inocule esperança, que produza novo fermento entre os desiludidos.

Sob manipulação diária, milhões de seres humanos seguem vendo sem enxergar, ouvem sem escutar e perderam momentaneamente a capacidade de discernir.

Simplesmente acreditam.

Confiam cegamente.

Se deixam robotizar e arrastar por falsas lideranças.

O lobo sabe muito bem como usar a vestimenta do cordeiro. O gavião se fez pomba mansa, a serpente imita a minhoca inofensiva e o coiote jura proteção ao galinheiro.

Onde localizar o herói de tua imaginação fértil? Alguém que encarne o ideal de desprendimento, de trabalho em favor de todos. Que transite entre diferentes sem anátema, que não jogue no lixo princípios morais quando as circunstâncias lhe sejam desfavoráveis e que não mercadeje com o apoio alheio, pactuando com o atraso e a insensatez.

Lembra-te, uma vez mais, do herói da cruz.

Sua causa residia acima dos interesses de César.

Transitou entre corrompidos e corruptores e não se deixou tisnar pelas águas turvas das falácias de ocasião.

Ceou com indignos e não teceu julgamento de suas condutas.

Constrangido a opinar num caso suposto de adultério, trazido a ambiente público, perguntou quem estava isento de erros e conseguiu poupar aquela vida frágil de um julgamento arbitrário, não endossando seu equívoco numa sociedade misógina e preconceituosa.

Intimado a demonstrar seus poderes ante Sua prisão, fez-se estátua de silêncio, entregando-se a Deus.

Seu trono foi uma cruz de infâmia e loucura coletiva, patrocinada pela obsessão que tomou conta de milhares.

Aqueles a quem ajudou desertaram. Os curados, simplesmente sumiram.

E Ele, por amor, volveu da noite triste do sepulcro para reimplantar seu programa de governo nos corações desalentados.

Alegria nos abatidos.

Fé nos descrentes.

Bom ânimo naqueles que o desespero converteu em estatuas de sal.

Renovação nos estagnados do espírito.

Confiança para quem já não tinha em que ou quem acreditar.

Se algum estado pessimista de alma começa a construir em tua intimidade um reino de ilusão e desesperança, azedume e amargura, acautela-te contra esses algozes da alma. São tiranos da esperança, carrascos implacáveis da fé e estão a serviço da amargura.

Imuniza-te contra esses vírus cruéis!

Vai à farmácia de Deus e sorve o xarope do júbilo. Reergue teu otimismo combalido.

Investe nas flores vencendo baionetas.

E avança entre escolhos e lutas, desafios e percalços. Se o tempo presente não te sugere um herói que venha salvar o mundo dessa anarquia e da atual crise de valores, recorda Jesus, toma-o por modelo e guia e segurando na mão de Deus prossegue tua marcha.

Nada nem ninguém pode te arrebatar do esquema Divino.

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Juazeiro, 16.10.2022

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