Kardec, ontem, hoje e sempre!

Escrever sobre Kardec é fácil, o difícil é resumir em poucas linhas o muito que ele fez e deixou de legado para a humanidade. De início é preciso registrar que este senhor recebeu como missão dos espíritos superiores revelar ao mundo o Consolador prometido pelo mestre Jesus e desempenhou o compromisso com maestria.

Em março, ele é lembrado, com muito merecimento, pela passagem da sua desencarnação. Seus ensinamentos, como uma bussola, orientam a todos que caminham e buscam respostas para perguntas que acompanham os homens em todos os tempos; quem somos, de onde viemos e para onde vamos após a morte.

A grande maioria ainda não acredita na sobrevivência e imortalidade da alma, mas pouco a pouco barreiras são transpostas e novas descobertas da ciência vão colocar o homem frente a frente com a realidade espiritual e saberemos que todos estamos vinculados como irmãos que somos em Deus.

Mas afinal, quem foi Kardec? Qual a sua importância? Quais suas obras? Que momento histórico viveu?

Nascido em Lyon, França a 3 de outubro de 1804, de uma família que se distinguiu na magistratura e advocacia, foi batizado com o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail, mas foi com o pseudônimo de Allan Kardec que ficou conhecido ao publicar os livros que revelaram a doutrina espírita.

Fez seus primeiros estudos em Lyon e com 10 anos foi estudar no Instituto de Yverdon, fundado na Suíça, pelo conhecido educador Pestalozzi, onde o princípio maior era conduzir o aluno a descobrir por si mesmo, pelo seu esforço pessoal, as coisas que estão ao alcance de sua inteligência.

Concluído seus estudos, retornou para França começando a exercer o magistério e traduzir obras, já que dominava o inglês e o alemão. Escreveu livros de gramática, aritmética e de educação. Deu cursos gratuitos de química, física e astronomia. Cuidou da contabilidade de várias casas comerciais. Foi membro de várias sociedades eruditas, sendo premiado pela academia real Arras por uma dissertação cujo tema: Qual o sistema de estudo mais em harmonia com a sociedade da época?

Dedicou-se ao estudo teórico e prático do magnetismo animal (mesmerismo) e sonambulismo. Quando da elaboração da doutrina espirita, afirmou que o magnetismo preparou o caminho do espiritismo e os rápidos progressos desta são devidos à divulgação das ideias do magnetismo.

Casou-se com Amélie Gabrielle Boudet em 1832, professora diplomada, e nove anos mais velha que Kardec. Não tiveram filhos. A senhora Kardec trabalhou ao seu lado na concretização da missão deste, enfrentando preconceitos e decepções dos adversários do espiritismo.

O mundo que Kardec viveu, século XIX, cenário de grandes transformações sociais e cientificas. O mundo assistia à expansão das máquinas a vapor, a construção das estradas de ferro, a criação da fotografia, do telegrafo e do telefone, o desenvolvimento da eletricidade e inúmeras invenções que viriam transformar a vida cotidiana. O positivismo declarava que somente a ciência poderia salvar a humanidade. A igreja estava meio que desacreditada e o materialismo crescia a olhos vistos.

Neste palco é que os espíritos superiores prepararam a entrada de novos conhecimentos para renovação da humanidade. Desta vez não foram fatos isolados e sim como disse Artur Conan Doyle, no livro A História do Espiritualismo, foi uma “invasão organizada”.

O Espirito de Verdade se referindo ao momento, nos disse que “Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos céus, como um imenso exército que se movimenta, ao receber a ordem de comando, espalham-se sobre a face da terra. Semelhantes a estrelas cadentes vêm iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos”.

Fenômenos e ruídos estranhos começaram a ocorrer, inicialmente na América do Norte, em Hydesville, 1848 e depois se espalharam por todo o mundo não mais como simples pancadas nas paredes e móveis, mas mesas giravam, batiam e se levantavam sem qualquer apoio.

Em 1854, Kardec, ao tomar conhecimento dos fenômenos das mesas girantes, atribuiu de imediato ao fluido magnético, uma espécie de eletricidade. Depois soube que as mesas também falavam e comentou que estava diante de fato inexplicado já que, aparentemente, era contrário às leis da natureza e que sua razão repelia, pois, a ideia de uma mesa falante não conseguia penetrar em sua mente.

Em 1855, ao assistir pessoalmente o movimento das mesas girante e falantes, entendeu a gravidade dos fatos e percebeu nesses fenômenos a chave do passado e futuro da humanidade, a solução de inúmeros problemas e dúvidas de todas as épocas.

Participou de inúmeras reuniões em que o médium escrevia com o auxílio de uma cesta, com um lápis preso na ponta, respondendo perguntas da assistência. Geralmente, os assuntos tratados eram fúteis, mas foi assim que ele começou seus estudos sérios de Espiritismo realizando perguntas aos espíritos e aplicando o método experimental, observando cuidadosamente, comparando e deduzindo consequências. A comunicação dos espíritos provava a existência de um mundo invisível e permitia que se conhecesse as condições desse mundo, seus costumes e leis.

Logo deduziu que os espíritos eram as almas dos homens e que o saber deles dependia do grau de evolução que tinham alcançado. Isto lhe preservou de conceber ideias prematuras e equivocadas tendo por base a informação de alguns deles.

Portanto, ao tomar contato com o ensino dos espíritos, com cerca de 50 anos de idade, morreu o educador Leon Hypollite Denizard Rivail e nasceu o missionário Allan Kardec, pseudônimo que adotou por ter sido informado por um espirito que este era seu nome em uma encarnação entre os Druidas.

Após ter reunido muitas informações acerca da vida espiritual, ele resolveu publicar O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857, ficando esta data como marco do surgimento do espiritismo.

Até a sua desencarnação, em 1869, portanto, cerca de 15 anos de trabalho ininterruptos, deixou para a humanidade o que ele denominou de a doutrina dos espíritos, pois, era segundo o ensinamento dos espíritos superiores, ditados a diversos médiuns e sistematizados por Allan Kardec.
Suas principais obras são conhecidas como os livros da codificação ou pentateuco espirita, iniciada pelo Livro dos Espíritos que nos traz os princípios básicos da doutrina.

O livro dos Médiuns, segundo livro da codificação, é um guia teórico  e prático que orienta médiuns, doutrinadores e observadores sobre as relações com o mundo espiritual. É o “porto seguro” para quem se enveredar por estes caminhos.

O evangelho, segundo o espiritismo, traz a moral cristã revivida na sua simplicidade, do ponto de vista do ensino dos espíritos. É o livro de cabeceira, de todas as horas, todos instantes e momentos. Basta abrir de forma aleatória e se “alimentar” com suas orientações e consolações. Nos faz refletir, rever posições e atitudes. Verdadeira terapia de amor e caridade.

O céu e o inferno, quarto livro da codificação, demonstra como funciona o mecanismo da justiça divina em consonância com a frase “a cada um segundo as suas obras”. A segunda parte deste livro, Kardec reuniu várias dissertações de casos reais, a fim de demonstrar a situação da alma, durante e após a morte física, com narrações de espíritos infelizes, espíritos em condições medianas, sofredores, suicidas, criminosos e espíritos endurecidos.

Já a Gênese, publicado em 1868, último livro de Kardec, nos introduz nos mistérios da criação deixando algumas sementes que irão germinar quando o homem estiver mais maduro para entender e se aproximar mais de Deus.

Outras obras complementares foram escritas por Kardec, como: O que é o Espiritismo, O Espiritismo em sua expressão mais simples, Viagem Espirita de 1862, além da revista espirita de periodicidade mensal, onde eram publicados relatos, informações, produções mediúnicas e também comentários à luz do espiritismo de artigos publicados em jornais e obras literárias científicas e filosóficas.

Cerca de 21 anos após sua desencarnação, em 1890, foi publicado o livro Obras Póstumas contendo informações do próprio Kardec encontradas em manuscritos e artigos de sua autoria.

Ao completar 153 anos do desencarne deste missionário, esperamos que seja permitido seu retorno ao nosso convívio, trazendo novas informações que possam ajudar a conduzir a humanidade para um mundo melhor, mais igual e fraterno.

Ao concluirmos estas breves linhas somente nos resta agradecer e dizer: Obrigado Kardec! Que Deus o ilumine pelo muito que fez por todos nós.

Ismael Portugal, membro do Ideba

31/03/2022

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