Família: a árvore do amor

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Família é lugar de aconchego, de base, de suporte, nosso porto seguro, nosso lar.
Refletir sobre este tema nos remete a pensar o momento presente e nos conduz para muito além do que vimos e ouvimos nos meios de comunicação, nos noticiários, na internet, na mídia como um todo. Estamos a viver situações atípicas e turbulentas, uma vez que percebemos o quanto a família se encontra desestruturada, ampliando nossas dificuldades, que não são poucas, tendo em vista que a crise sob a qual estamos submetidos provoca muitas incertezas. Nós, espíritas, temos conhecimento de que não estamos a experimentar apenas transições política e histórica, mas também moral e planetária.

E é bem provável que a falência da educação atual e a desestrutura social tenha como uma das principais causas o esfacelamento da estrutura familiar. Danner apud Sócrates (2011) no seu artigo, intitulado “Pensando sobre educação e política: Sócrates, Platão e Aristóteles, ou sobre as bases da educação ocidental – Uma contribuição para o caso brasileiro”, nos lembra que a educação deve acontecer na primeira infância, porque é neste momento que se viabiliza a construção do caráter de um ser, que posteriormente quando for adulto utilizará nas relações sociais com sua forma de agir e pensar o mundo.

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Na contemporaneidade a ausência dos papeis definidos na família; a necessidade dos pais serem amados pelos filhos, motivo pelo qual a permissão excessiva de comportamentos inadequados se estabelece, a falta de respeito, de limites e do aprendizado entre o que é certo e errado tem causado caos no contexto familiar, escolar e social.

Impreterivelmente, este é o momento em que os pais necessitam resgatar o respeito dos seus filhos, não o amor, porque esse sentimento requer maturidade, amadurecimento, não se ama a quem não se respeita; é preciso compreender que a frustação faz parte do processo educativo e os pais de hoje precisam lembrar que antigamente seus pais não estavam preocupados em ser amados por eles, mas respeitados, por isso educavam, nem que para isso custasse choro dos filhos, a cara feia, os aborrecimentos diante das ordens, dos limites impostos, dos olhares significativos, ou de algum impedimento em obter ou realizar algo.

Os filhos da geração em que os pais tinham autoridade e os papeis eram bem definidos no contexto familiar, hoje amam seus pais, porque aprenderam a respeitar e admirar esses personagens tão importantes na estruturação de sua formação e do seu caráter.

Assim, podemos reconhecer que atualmente estamos vivendo uma crise individual e essa se reflete no social. Em meio a essa situação, muitos de nós estamos distraídos nos concentrando nos casos que a mídia divulga, acreditando que precisamos resolver, ou alguém necessita resolver o problema que se estabelece na sociedade; e esquecemos de perceber que a grande transformação e regeneração pode e deve começar no nosso interior; é o nosso coração que precisa ser trabalhado, reformado, regenerado, ou seja, a forma como sentimos e agimos no mundo é que fará toda diferença no ambiente social.

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Esse trabalho de regeneração deve começar num ambiente propício, nosso ambiente familiar, é neste lugar que podemos promover as grandes revoluções em nosso ser para culminar na sociedade. É assim que vamos promover a grande mudança na história da humanidade, uma vez que estaremos responsabilizados em focar nossa energia para desenvolver recursos interiores que, ao se exteriorizar, realizarão transformações significativas sociais.

Muitos de nós imaginamos que as grandes mudanças sociais ocorrerão com a troca do grupo político, que temporariamente se encontra no poder em nosso país, porque desejamos com o nosso coração mudanças políticas, éticas e históricas, todavia essas mudanças só ocorrerão se forem realizadas dentro de cada um de nós; caso contrário, sempre iremos alimentar a ilusão de que ao mudar os personagens no campo político ao invés de mudarmos comportamentos, conquistaremos um país novo.

Como cidadãos espíritas que enxergamos essa realidade, temos o compromisso moral de promover essas transformações e, obviamente, Deus sabe que é necessário um ambiente adequado para que isso aconteça, porque nele desenvolveremos as melhores habilidades, e conquistaremos as competências que precisamos adquirir para nos instrumentalizar nessa transformação.

Por esse motivo Deus nos deu a família. Quando refletimos sobre isso, reconhecemos sua importância, porque para que o projeto da formação de uma sociedade justa, constituída por pessoas íntegras seja viável, se a família que é o nosso suporte fracassar, todo o projeto humano sucumbe; mas se a família funcionar, todo o projeto humano sairá vitorioso e poderemos construir uma sociedade humana, em que reina a solidariedade, a justiça, a felicidade e o bem-estar.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo IV, página 67/23 Kardec nos diz: “os laços de família (…) com a pluralidade das existências, que é inseparável da progressão gradual, há a certeza na continuidade das relações entre aqueles que se amaram, e está aí o que constitui a verdadeira família”. Ainda nos diz neste mesmo livro (p. 66/19): “que Deus permite, nas famílias, encarnações de Espíritos antipáticos e estranhos, com duplo objetivo de servir de prova para alguns, e de meio de adiantamento para outros. Depois, os maus se melhoram pouco a pouco ao contato dos bons e pelos cuidados que deles recebem; seu caráter se abranda, seus costumes se depuram e as antipatias se apagam; é assim que se estabelece sobre a Terra entre as raças e os povos.” Então, é neste ambiente que evoluímos e aprendemos a amar verdadeiramente, principalmente aqueles que nos provocam desafios, são essas pessoas que nos ajudam a promover transformações.

Neste sentido, a importância da família no nosso processo de evolução é indiscutível, é neste ambiente que se encontram as nossas raízes, somos sementes, assim nascemos, das muitas ramificações formadas pelos nossos antepassados; é muito amor envolvido para estarmos aqui. E o interessante é saber que damos continuidade a essas ramificações de amor, porque depois de um certo tempo nos transformamos em árvores e produzimos sementes através de nossos frutos.

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Sendo assim, a família tem um papel fundamental na formação das sociedades do mundo, Jesus que é o Espírito mais Superior que aqui esteve poderia ter nascido pronto, mas ao contrário disso, nasceu em uma família para nos provar a importância desta instituição, ele foi instruído e educado pelos seus pais para realizar sua tarefa no mundo, olha a responsabilidade de sermos pai e mãe, Deus nos confia seus filhos e nos presenteia com esta tarefa, assim como confiou em Maria e José para educar Jesus.

Considerando tudo que foi discutido e com objetivo de construirmos uma sociedade melhor, entendemos que a família tem um papel primordial na construção do nosso mundo. Cabe-nos, então, a reflexão neste momento de tantas atribulações: o que fazer para recuperar a família que acolhe, educa, dá princípios éticos e morais para formação de um mundo mais justo e humano? A resposta, amigos, está em nossas consciências, depende de nós a construção da nova era.

Ritta Araújo
Janeiro 2021.

REFERÊNCIAS

DANNER, Leno Francisco. Pensando sobre educação e política: Sócrates, Platão e Aristóteles, ou sobre as bases da educação ocidental – uma contribuição para o caso brasileiro.Universidade Federal de Rondonia. Disponível em: < file:///C:/Users/Carol/Downloads/PENSANDO_SOBRE_EDUCACAO_E_POLITICA_SOCRATES_PLATAO.pdf.
KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução: Salvador Gentile. Catanduva-SP: Boa Nova editora, 2004.

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