Em triunfando, constatarás que não viveste em vão.

Examinada, a história sempre revelará a trajetória da criatura humana nos caminhos terrestres. E quase sempre, ficará evidenciado os grandes conflitos a que se sujeitou e deu causa, mobilizando armas e batalhões para os sangrentos embates que a memória insiste em não esquecer.

Em milhares de anos de saga e evolução, as disputas por território, os conflitos agrários, os embates por ideologias discordantes serviram como pano de fundo das carnificinas que periodicamente tem carreado dor e luto à sociedade. O triunfo aparente de uns fez contraste chocante com a ruína dos vencidos, que buscaram na servidão ou na completa destruição reerguer seus brios feridos, se armando para as revanches do porvir.

A triste noite de São Bartolomeu, luta que ensanguentou a França em pleno século XVI. As guerras contra a Inglaterra, desde o período da passagem de Joana D’arc, a heroína queimada viva em Rouen, após traição de seus compatriotas.

Das cruzadas medievais até os grandes conflitos armados da primeira e da segunda guerras mundiais, a sucessão das atrocidades humanas é impactante, deixando atrás de si um rastro escuro de sangue e dor.

E dos seus próprios escombros, a humanidade buscou levantar a nova era, edificada a duras penas, pontificando a cultura e a tecnologia, por trazerem ao ser o conforto e o domínio sobre a matéria.

Da hipótese de Demócrito acerca dos átomos até as pesquisas de Rutherford, mais de 2.500 anos de história. De Aécio e Hipócrates até Zerbini e Christiaan Barnad, a medicina atravessou eras incontáveis de superstição e ignorância, combate e anátema, triunfando sobre o pensamento raso até edificar entre os homens a ideia da higiene e da profilaxia das enfermidades cruéis.

Nasce a matemática entre as pirâmides do Egito, aproveitando os rudimentos dos teoremas de Pitágoras na velha Grécia, a se erguer, em plena atualidade, por ciência do cálculo e da precisão, indispensável ferramenta das viagens espaciais.

Nos museus, entre alfarrábios e papiros, livros raros e manuscritos únicos, parte considerável da evolução humana deixa entrever nossas lutas por poder e domínio, mando e submissão a povos esmagados por coturnos e baionetas.

Entretanto, as lápides frias e silenciosas dos cemitérios lança no ar silenciosa interrogação. Onde o triunfo sangrento de déspotas e tiranos, ontem nos ilusórios fastígio do poder temporal e hoje página mofada das enciclopédias?

Silenciosa e triste, a morte conduziu ao sepulcro glórias e usurpação, senhores e escravos, prepotência e arrogância, confundindo no pó das sepulturas tudo aquilo que se edificou um dia nos campos de batalhas.

Entretanto, quando consultamos os alfarrábios das vidas dos heróis, constatamos o brilho da vida na ação da caridade desconhecida.

Uma Joana de Cusa, doando em holocausto a própria existência e de um filho adolescente em honra da mensagem de Jesus. Maria Madalena, ressurgindo das próprias cinzas, a fim de reabilitar-se moralmente, tornando-se padrão de ética e dignidade.

Francisco de Assis, ressurgindo no mundo para reerguer a igreja moral, trincada pela presunção do sacerdócio despudorado.

Tereza de Ávila, fazendo da própria conduta, austera e nobre, modelo para as monjas encerradas no carmelo, buscando a simplicidade que se identifica com as linhas morais da mensagem cristã.

E em tempos modernos, onde as relações líquidas insistem em fazer homens e mulheres manequins de uma vida de aparências, uma madre Tereza de Calcutá, Montessori, Gandhi, Dulce e outros vultos de escol buscaram nos dizer, por exemplos, que vale a pena insistir no cumprimento de deveres, na vivência da simplicidade e no abandono do artificialismo que ocultam quem realmente somos.

Ele permanece o modelo e guia da humanidade. Alfa e ômega da evolução possível a homens e mulheres.

Padrão moral ainda não experimentado pela esmagadora maioria.

Jesus, rocha dos séculos.

Lírio inconspurcável.

O único ser integralmente saudável da história.

Em tuas incertezas dos dias hodiernos, em teus momentos de inquietação íntima, em tuas agonias não vistas e em tuas lágrimas ocultas, seja Ele teu refúgio e tua fortaleza, teu escudo e tua segurança na travessia.

Entre supostos vencedores da ribalta humana e aparentes derrotados dos embates materiais, sê tu quem peleja contra os adversários íntimos, sicários da alma e nódoas de tuas vestes da alma.

Aí, em tua intimidade, travarás as mais duras batalhas buscando, a ingentes esforços, vencer tuas inclinações infelizes.

Em triunfando, constatarás que não viveste em vão.

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 04.12.2022

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