Ele permanece um homem admirável.

Jesus é o ser humano mais notável da história. Sua vida alterou os rumos da civilização ocidental e imprimiu novo marco aos ditames da evolução, seja ela individual ou coletiva.

As referências históricas, conquanto escassas, não deixam qualquer dúvida ter sido Ele um ser real e não um mito, elaborado pela mentalidade judaica para justificar a ânsia de libertação do império romano. Flávio Josefo, no início do século I, a Ele se referiu enfaticamente, em sua obra Antiguidades Judaicas.

No século seguinte, Tácito, romano de nascimento, nos seus anais, voltaria a referir-se ao Cristo quando do reinado de Domício Nero, responsável por um dos mais corruptos períodos do império romano, tendo sido mandante intelectual do incêndio que devastou Roma em 16 de julho do ano 64, imputando aos cristãos a responsabilidade pelo sinistro, que cometera através de Tigelino, prefeito dos pretorianos e homem de absoluta confiança do imperador psicopata.

Plínio, o jovem, ao Divino Amigo se referiria oportunamente em uma epístola ao imperador Trajano, mencionando os seguidores de Jesus, que na ocasião já se contavam por milhares. E o martírio, que teria início no ano 58, com o apedrejamento de Estêvão, se estenderia por quase 250 anos, até Diocleciano, por volta de 305 de nossa era, quando este publicaria um decreto, informando que a “praga nazarena” estava erradicada do falido império romano, agora reduzido a escombros.

Apesar de inúmeras tentativas de apagar Jesus das narrativas históricas, Seu nome nunca foi proscrito dos livros e da memória daqueles que O amavam e O amam, até hoje.

Em pleno período pós revolução francesa, o materialismo então reinante tentou apagar os sinais de Deus, igrejas foram fechadas, objetos sacros saqueados por meliantes astutos e sacerdotes católicos foram exterminados pela revolta contra a ditadura da fé intolerante. Nada disso conseguiu tirar Jesus do coração da criatura humana.

E em pleno século das luzes, quando se observa a desfiguração do Natal, onde símbolos do paganismo ancestral se misturam ao materialismo da atualidade, Ele permanece uma lembrança rica de amor e uma messe abundante de consolação.

Em uma sociedade que prima pela superficialidade dos relacionamentos interpessoais, pela liquidez dos afetos, pela aridez dos sentimentos, encontramos milhões de indivíduos tocados pelo verbo do Senhor, dispostos a doar suas existências em favor da causa redentora.

Ele permanece um homem admirável.

Sensibilizado por sua história comovedora, Albert Schweitzer abandonaria a Europa e se internaria na África equatorial do Gabão, ali construindo um hospital para atender os filhos do calvário. Seu livro “a busca do Jesus histórico” é uma tentativa de resgatá-Lo da teologia remunerada, que O desfigurou enormemente.

Jean-Christian Petitfils, escritor francês contemporâneo, O exalta na sua obra “Jesus, a biografia”.

O psiquiatra carioca Augusto Cury a Ele se referiu na célebre coleção “análise da inteligência do Cristo”, O destacando como o mestre dos mestres e inesquecível.

Pessoa alguma que tenha D’Ele ouvido falar e não se tenha sensibilizado até às lágrimas com Sua paixão, revivida a cada ano em data própria dos cristãos do ocidente.

E no mês de dezembro se reservou como sendo a data evocativa de Seu nascimento entre os homens, trazendo aos corações a infinita mensagem do amor e da consolação.

Quanto mais a descrença parece fazer prosélitos e desmontar a confiança, mais se avultam seus feitos entre os desconsolados e oprimidos de todo jaez.
Vidas que se ergueram ao influxo de Suas parábolas.

Almas em desespero, que se viram amparadas nas horas extremas por leitura de algumas passagens D’Ele junto aos infelizes e injustiçados.

Enquanto a sociedade estertora e agoniza no seu delírio de grandeza material e audácia tecnológica, os campos da alma permanecem sedentos de uma verdade que não se encontra no dinheiro ou nas aquisições passageiras. Silos abarrotados de grãos não conseguem aplacar a fome de afeto que ora assola a humanidade de nossos instáveis dias.

As comunicações fáceis e ligeiras diluíram fronteiras, mas amplificaram o bloco dos solitários e carentes de toda espécie.

Muitas religiões de matriz cristã, mas escassa religiosidade nos corações, ainda avinagrados pela intolerância e anátema aos discordantes.

Símbolos em excesso que sufocam a simplicidade de Sua mensagem, que pontua o amor como plataforma de uma vida feliz e a convivência harmônica entre diferentes.

Não te furtes às indispensáveis reflexões acerca de teu papel nesses dias tumultuados que atravessamos. Será por teus atos, muito além de tuas palavras, que dirás ao mundo o de que está cheio teu coração.

Tua conduta será teu melhor passaporte.

Como ajas reverberará o impacto da mensagem D’Ele em teu mundo íntimo.

O coração que se deixou abrasar pela influência do Mestre se faz manso como as pombas, mas atento como as águias.

Tem a doçura da ovelha mansa, mas não conive com a astúcia da serpente traiçoeira.

Ama, mesmo não sendo amado.

E, sofrendo as injunções dos tempos modernos, resguarda o coração com o capacete da esperança e situa tua fé acima das conquistas ilusórias, alçando-te, desde já, em espírito, ao país da luz, onde o Mestre aguarda o discípulo fiel com novas ordenações para o futuro sem fim.

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 07.12.2022

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