E aí, tens ou é?

O corpo físico tem sido objeto de estudos desde tempos imemoriais. Tomando por marco de referência os pais da medicina ancestral grega, como Hipócrates, Aécio e Galeno, e mais tarde Avicena, Ambroise Paré e Andreas Vesalius, lograremos identificar notáveis estudiosos das anomalias que periodicamente invadem o conjunto celular, nele produzindo distúrbios e quebra da homeostasia, empurrando o ser para os abismos da doença. Dessa forma, o binômio saúde-doença passou a ser a base de onde se originou os vastos estudos sobre a corporalidade que reveste o ser, ainda desconhecido.

De duzentos anos para cá, os avanços nesse campo foram notáveis e ainda estamos sob imensa revolução na seara médica, onde a cada dia métodos inovadores, cirurgias impensáveis e medicações avançadas blindam o carro orgânico contra os agentes internos e externos que o ameaçam.

A longevidade corporal deu um salto quântico nos últimos 120 anos. Campanhas bem organizadas de vacinação varreram da Terra enfermidades que outrora abatiam milhões de vidas. O anestésico resguardou o homem e a mulher de inúmeras dores e o parto foi humanizado, permitindo segurança para a matriz e seu bebê.

Esses ângulos diversos dão conta da curiosidade humana, da inteligência a serviço da saúde e da higiene, do interesse em desenvolver métodos revolucionários em derredor desse campo imenso de possibilidades, mas o grande desafio que ora inquieta médicos e cientistas não é o vestido orgânico em que deambula nas trilhas do mundo. O vislumbre de que o ser não é a equipagem de ossos e cartilagens que o reveste abre horizontes jamais perscrutados no campo da investigação científica.

Existe uma alma?

Ela é suscetível de adoecer?

Como tratar as enfermidades não mensuráveis por exames e biópsias?

Com quais ferramentas médicas derrotar as patologias não provocadas por agentes patogênicos, como micróbios e vírus, espiroquetas e bactérias?

Conquanto a constatação de que a usina mental é responsável pela produção de cerca de 65 tipos de neurotransmissores, responsáveis diretos pela euforia, bem-estar, alegria, como atuar no psiquismo em debilidade, identificar as causas da ruptura da felicidade e atuar para reverter o quadro de apatia que deprime milhões?

E novas ciências estão sendo convidadas a interagir com a medicina, criando verbetes de pronúncia difícil: psiconeuroendocrinoimunologia, a demonstrar que cada um é, na área da saúde, aquilo que pensa e quanto se faz a si mesmo, conforme lúcida definição da educadora e psicóloga Joanna de Ângelis.

Sugere a nova ciência que três sistemas, antes estudados separadamente – sistema nervoso central, endócrino e imunológico – sejam fundidos num só, indivisível, que sob o comando do Espírito, imprime as marcas da evolução precárias ou das escolhas iluminativas, posicionando o ser no terreno da saúde ou o projetando no pântano das enfermidades diversas. Esse novo horizonte deixa entrever que doença não é tão somente o mau funcionamento de um órgão, de uma glândula ou uma febre que desequilibra a temperatura, denunciando provável zona infecciosa, mas igualmente a mente poluída de desejos, o ódio acrisolado por décadas contra um desafeto, as mágoas guardadas nos porões da memória e dos sentimentos, o egoísmo feroz, a posse desvairada de coisas passageiras e todo um séquito de algozes implacáveis, que atuam de dentro para fora, gerando novos distúrbios do humor e da afetividade, a responder no campo da ansiedade mórbida, da depressão avassaladora, da síndrome do pânico, do surto psicótico, etc.

A medicação externa ajuda, mas sem mudança íntima, o remédio é medida em trânsito para a inutilidade.

A injeção recupera, mas reclama do atendido revisão de seus objetivos existenciais.

A fisioterapia ajuda a diminuir tensões e a rigidez muscular, mas paciente algum pode se furtar de exumar de si a inveja, a intolerância e a ideia falsa de que é imprescindível no mundo.

A saúde nunca foi nem será tão somente um corpo, aparentemente blindado contra invasores, aparentando robustez até avançada idade. Fundamental o ser estar em equilíbrio nas suas relações com o meio onde está inserido, ter relacionamentos saudáveis com afetos e amistosos com supostos adversários. Caminhar sem remorso do ontem, sem estresse no hoje e sem ansiedade do amanhã.

O Divino Médico das almas doentes, que somos todos nós, já nos alertara que a cada dia basta o seu mal. Que não nos inquietássemos pelo dia de amanhã.

Propôs profilaxia de nossas enfermidades pela prática do perdão, do esquecimento das ofensas recebidas e pelo exercício diário do amor ao próximo nos mais amplos limites possíveis.

Nossa academia será o mundo. Nosso local de pequenos exercícios ocorrerá dentro das quatro paredes do lar. Os outros serão testes às nossas conquistas.

Paciência diante de ingratos e agressivos. Amorosidade no trato com pessoas tóxicas. Silêncio no surto. Ponderação na fala. Convivência serena com diferentes. Bom ânimo nas adversidades e humor nas quedas.

Com tantos recursos à disposição, podes até adoecer e TER doenças, mas SER doente é opção de cada um no campo da própria intimidade.

E aí, tens ou é?

Tua resposta será decisiva para início de teu tratamento.

Autor: Marta(Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 13.11.2022

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