Cordeiros numa manhã, lobos logo após.

Existem ocorrências trágicas que marcam de maneira indelével as páginas da história. O onze de setembro ficou insculpido na alma e memória dos norte-americanos como uma ferida que insiste em não fechar.

Uma terça feira que parecia como tantas outras, logo fulminada pelos ataques terroristas, se valendo de aviões lançados contra as torres gêmeas na ilha de Manhattan e contra o quartel general da inteligência militar americana, o Pentágono.

Em minutos, centenas de vidas ceifadas.

Uma manhã de dor.

O mundo, atônito.

E decorridos 21 anos do acontecimento trágico, sobram reflexões, muitas ainda não digeridas nas consciências envolvidas.

Que saldo obtivemos até agora da imensa tecnologia disponível na Terra, facilitadora das atividades do cotidiano?

Falharam os organismos internacionais voltados para a construção de uma comunidade mundial pacífica e solidária?

Por que prosseguem os embates no campo religioso, com farpas de lado a lado, quando a meta a ser alcançada é justamente a compreensão recíproca da necessidade de tolerância e aceitação serena das diferenças?

Conquanto não tenha ocorrido outro ataque daquelas proporções, as incertezas pairam sobre os países mais visados, que passaram a adotar extremos de segurança nas suas fronteiras e no seu dia a dia.

Na busca por uma era de paz, o ser humano se fez arrogante, tentando se impor aos demais, portadores de pensamentos divergentes. Minorias, secularmente discriminadas e perseguidas, se ocultaram na sociedade, fugindo à intolerância e ao desprezo vigente.

Discursos de anátema se fizeram ouvir em vários momentos da história, produzindo revolta e medo nos alvos da perseguição eleita. Até mesmo entre grupos que beberam nas fontes cristãs, se pode encontrar quem elegeu Jesus como paradigma e deu vaza aos instintos de dominação arbitrária e eliminação sumária dos próprios irmãos de jornada.

Como conciliar as diretrizes do Mestre com a arbitrariedade? Existirá pontos de contato entre a amorosidade e a compreensão por Ele demostrada em Sua vida pública com qualquer postura de ódio e violência contra aqueles que não comungam da nossa cartilha pessoal?

As lídimas lições do Evangelho permanecem tão desconhecidas hoje quanto nos tempos da sua escrita, no solo poeirento da Judéia. Mesmo constatando que o Cristo permanece o biografado mais comentado e lido da civilização em todos os tempos, a essência de Sua mensagem não penetrou todos os corações, nem conseguiu ainda transformar pedras em pães.

Jerusalém hoje é a Terra inteira.

O rebanho do Sublime Pastor se encontra pulverizado em toda parte.

Casas religiosas que o proclamam Salvador e Messias estão em cada esquina, e dentro dela a massa de aflitos e desesperados.

Oram num momento, se agredindo horas depois.

Cordeiros numa manhã, lobos logo após.

O lido, nem sempre compreendido, não se transforma em pedagogia do afeto nem se transubstancia em maná de júbilo íntimo.

A cruz permanece nas paredes sustentando o grande incompreendido.

Até quando!

Amigo da senda, se já travaste algum mínimo contato com a sublime mensagem do Galileu, tens farto material para tuas demoradas reflexões. Ele não espera de ti santificação de um dia para o outro, nem que violentes teu senso comum.

É possível que não tenhas ainda experimentado alguma vivência numinosa, onde tua estrada de Damasco tenha te oportunizado uma mudança de valores, mas se em tuas mãos Ele deixou algumas sementes, somente espera que desças aos campos férteis do mundo, aí lançando a divina promessa.

E o semeador saiu a semear…

Não aguardes que outrem faça o que te cabe. Fazes já quanto esteja ao teu alcance para que as duas torres gêmeas sejam vistas como mãos postas em oração, fazendo subir das agitadas avenidas terrestres o clamor das massas por um pouco de paz.

Autor: Marta (ESpírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Santa Luz/Ba., 11.09.2022

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