Até que ponto vai a vaidade humana?

Desde a antiguidade percebemos a busca por um corpo perfeito, por uma pele mais macia, por cabelos mais impressionantes. As culturas humanas antes da organização da “pólis” grega ou da casta indiana ou egípcia, adornavam-se visando a exibição da corte para as progenitoras dos novíssimos membros da aldeia. Ainda hoje, vemos algumas exibições desse cunho entre tribos africanas, a exemplo dos habitantes das tribos Surma e Mursi.

A perfeição da imagem feminina e do vigor masculino difundidos com a expansão do império romano pelo mundo antigo e posteriormente com a invenção francesa do cinema, imortalizaram a certeza de que homens e mulheres devem encarnar a perfeição narcísica.

A busca pela beleza, o retardo da idade, a fonte da juventude ao alcance das mãos moldou a beleza do século XX e o apelo das empresas de cosméticos, prometendo o rejuvenescimento a partir da inovação tecnológica e fez com que homens e mulheres lotassem clínicas e academias em busca de retardar o tempo.
Mas, até quais limites essa busca vai? Qual a dose certa que devemos ter em mente? E por qual motivo ainda buscamos tanto essa beleza perfeita?

As centenas de casos de morte como o mais recente, divulgado nas mídias, ilustram o perigo dessa prática e como as pessoas estão cegas e iludidas pelos “profissionais” que executam procedimentos em locais cada vez mais insalubres e inapropriados para tal.

Esses procedimentos há muito deixaram de ser exclusividade dos que têm renda alta e passaram a ser buscados por quaisquer pessoas, de quaisquer classes sociais e cada vez mais jovens.
Vemos, sem apontar a orientação sexual, os transex aplicando silicone de carro nos mamilos em busca de volume, nos membros inferiores tentando fazer a modificação dos glúteos e até nos lábios buscando se assemelharem cada vez mais com a figura feminina.

Alguns casos vemos as mulheres que até implantam órgãos genitais masculinos por questões que não nos cabem julgar, pois esbarraríamos diretamente no livre arbítrio.
Mas, até que ponto a busca pelo corpo perfeito, influi no nosso eu espiritual? Já que, como explica a doutrina espírita, tudo está programado por uma escolha nossa. Estamos nos perdendo, esquecendo ou sendo displicentes com nosso corpo material e espiritual?

De acordo com O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 5, item 4, que trata a Vaidade, vemos:
“As vicissitudes da vida são de duas espécies, ou, se quisermos, tem duas origens bem diversas, que importa distinguir: umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.
Remontando à fonte dos males terrenos, reconhece-se que muitas são as consequências naturais do caráter e da conduta daqueles que os sofrem. Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição! Quantas pessoas arruinadas por falta de ordem, de perseverança, por mau comportamento ou por terem limitado os seus desejos!
[…]

Quantas doenças e aleijões são o efeito da intemperança e dos excessos de toda ordem!

[…]

A quem, portanto, devem todas essas aflições, senão a si mesmos? O homem é, assim, num grande número de casos o autor de seus próprios infortúnios. Mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, e menos humilhante para a sua vaidade, acusar a sorte, a Providência, a falta de oportunidade, sua má estrela, enquanto, na verdade, sua má estrela é a sua própria incúria.
Os males dessa espécie constituem, seguramente, um número considerável das vicissitudes da vida. O homem os evitará, quando trabalhar para o seu adiantamento moral e intelectual.”

Diante do exposto, podemos concluir que a vaidade vai muito além de um processo físico, na verdade é uma enorme oportunidade para a infelicidade e a ruína da humanidade. Ela dificulta nosso processo evolutivo, nos cega, impedindo uma apreciação precisa da realidade, na tomada de decisão. Ela nos ilude ao ponto de sempre acharmos que estamos certos e que precisamos dizer a última palavra, de que somos infalíveis e que todos, invariavelmente, são insignificantes.

Portanto, pergunto-vos!

Vale a pena viver com esse peso ao longo do tempo, atrasando sua existência e infelicitando as pessoas ao redor ou é muito melhor nos esforçarmos para que possamos perceber o nosso real papel no mundo, simplificando nossa vida, ressignificando nossa existência e cultivando o respeito pelo próximo?

Ana Carolina Muniz, membro do Ideba
20/07/2018

11 Visita(s) a esta matéria.