Assim agindo, serás feliz.

Para aqueles que se servem da pena, a arte de escrever é um imenso desafio a cada texto produzido. Não tanto pelo que se vai dizer no papel, mas sim como atender leitores tão diversos, cada um mergulhado na sua história e enfrentando seus fantasmas interiores.

Desde o final do século XIX e todo o século XX popularizou-se o que se convencionou chamar de literatura de autoajuda. Obras de respeitáveis intelectuais, pensadores, filósofos e religiosos buscaram diagnosticar os principais conflitos da criatura humana e a eles apresentar soluções simples, ofertando saída para os devastadores dramas existenciais.

Depressivos, ansiosos, neurastênicos e uma constelação variada de outros enfermos da alma se fizeram consumidores vorazes desta literatura especializada, em cada página acreditando encontrar a fórmula da vida feliz e produtiva. Certamente que numa visão otimista milhões de leitores localizaram frases que lhes otimizaram a vida em desequilíbrio, outros adotaram conselhos úteis para aplicação imediata ao estilo de vida até ali experimentado, e muitos se viram desencantados por não enxergarem solução viável e instantânea de seus problemas nas páginas consultadas.

É problemático ofertar a mesma solução para desafios diferentes. Cada pessoa está refém de uma situação que possui gênese próxima ou remota, incidindo sobre ela fatores familiares, íntimos, espirituais e emocionais que escapam muitas vezes ao próprio psicoterapeuta habitualmente consultado.

Herdeiro milenar de uma longa trajetória nos palcos da experiência evolutiva, onde se somam fracassos e quedas, dores e amarguras, alegrias e prazeres, o ser reflete hoje o que se fez ontem, carregando seu fadário de dores e limitações, a lhe espelhar sombra e luz, avanços e estacionamentos no campo das emoções.

Uma página edificante ajuda, mas é fundamental que depois da leitura haja aplicação desta na conduta.

Uma frase evangélica pacifica a alma em turvação, mas é imprescindível torná-la mantra de cada dia.

Uma receita ou decálogo de felicidade funciona nos moldes homeopáticos, reclamando como qualquer medicação tempo para surtir efeito.

O mais extraordinário psicoterapeuta da história conviveu com conflitados e intolerantes, agressivos e raivosos. Percebeu em silêncio suas chagas íntimas. Para muitos, ministrou silêncio. Para outros, estendeu Suas mãos de luz e fez claridade na alma em trevas. Em ocasiões diversas, narrou parábolas que são, até hoje, drágeas de vitalidade e sadias reflexões, convidando o enfermo para que se torne médico de si mesmo.

Nunca esteve doente.

Jamais foi visto colérico.

Em ocasião alguma ergueu Sua voz para amaldiçoar ou desanimar Seus ouvintes.

Não escreveu uma linha sequer, mas Sua Boa Nova é o mais extraordinário manual de autoajuda que se conhece até os presentes dias.

Seu Evangelho é possuidor de graves efeitos colaterais.

Dilui a sombra íntima.

Liberta o ser das algemas do ódio.

Alforria o ser da intolerância.

Desidrata o estado de guerra, pacificando a conduta e o verbo.

Extrai a ignorância e em seu lugar coloca a ventura que o mundo ainda desconhece.

Poderoso tratado de saúde mental e emocional, restaura a esperança e dulcifica os contratempos da estrada evolutiva.

Prisioneiro de conflitos que ninguém vê, assaltado por inquietações de difícil catalogação e tomado de ansiedade pelo dia de amanhã, desacelera tua marcha pela ribalta das disputas vãs, recompondo à sombra do Evangelho tuas convulsionadas paisagens íntimas.

Refresca-te na fonte da água viva, diminuindo tua ardência causada pelos desertos da aridez humana.
Degusta com Ele o pão espiritual da harmonia e da paz.

E ante as ruas apinhadas de automóveis barulhentos, multidões agitadas, sirenes ensurdecedoras e poluição visual e auditiva de toda ordem, busca um recanto isolado fora ou dentro de ti mesmo, ali te acalmando no analgésico da prece e no bálsamo da meditação.

Sejam as diretrizes de Jesus teu melhor livro de autoajuda.

Ele, teu psicólogo e pastor.

Num mundo cuja loucura coletiva se apresenta contagiosa, seja o Cristo caminho para a calma, verdade em meio a tanta mendacidade e vida em abundância.

Assim agindo, serás feliz.

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 02.07.2021

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