Antes de suplicar, reflete!

Em cada civilização é possível ao pesquisador sério e interessado achar elementos comprobatórios da sua unidade religiosa, traço culminante da formação social, política e cultural de cada coletividade. Desde eras muito recuadas, é possível identificar cultos onde a casta sacerdotal articulava favores e louvaminhas aos deuses, implorando por bênçãos alusivas às colheitas, à fertilidade dos casais e a proteção do clã.

Sacrifícios e oferendas, procissões e ofícios rebuscados foram instituídos pelo poder religioso em formação, buscando acrescer uma pitada de mistério ao intercâmbio entre as criaturas em súplica e os deuses em abundância.

Mesmo quando esse tempo foi vencido pelas eras, iluminado pelo surgimento da filosofia e de práticas religiosas mais simplificadas, não se perdeu inteiramente o hábito ancestral de se buscar os favores divinos através de cultos mais ou menos excêntricos.

E a Divina Misericórdia nunca deixou a criatura humana ao completo abandono. Chuvas fecundantes lhe refrigeraram a canícula do solo, crestado pela inclemência do sol, colheitas se fizeram fartas e avisos premonitórios garantiram reserva de grãos para os períodos de escassez e secas prolongadas.

Essa relação deixa claro que a Divindade sempre inspira e o homem, transpira. No labor incessante e nas fainas de cada dia o ser encontra mil caminhos para solucionar os próprios desafios da vida.

Estudando, dilui a ignorância.

Meditando, aprende como agir e diminuir as reações intempestivas.

Dialogando, cria pontes de solução amigável com adversários e desafetos, evitando que a guerra seja utilizada como agente de solução final.

Transformando matéria bruta do solo e minérios úteis, fabricou utensílios com os quais ergueu a roda, fez a faísca na intimidade do lar para se aquecer nos rigores do inverno e hoje consegue colocar em órbita engenhos de última geração, explorando os confins do universo.

Apesar do avançado progresso intelectual, ainda e sempre vai precisar de Deus.

Tentou, de maneira inútil, negar que o Pai existia. Sofismou, engendrando complicadas teorias, buscando explicar o aparecimento da flor e a constituição da estrela como sendo obras do acaso.

Não funcionou e quanto mais devassou a matéria, nela encontrou energia sob outras expressões e prosseguindo na sua curiosidade incontida, chegou às fronteiras da realidade espiritual, de onde recuou, amedrontado, em assumir sua verdadeira essência.

Muito pode pelo que muito já fez. Desceu aos abismos oceânicos e investigou os vulcões mais ativos da crosta terrestre em explosões violentas. Subiu aos espaços e tenta compreender o universo onde está situado como mísera inteligência, face à possibilidade da existência de prováveis civilizações muito mais avançadas que a nossa.

Começa a perceber, de dois séculos para cá, que é possível um diálogo entre ciência e religião, pavimentando uma estrada entre a fé e a razão.

A ciência faz-se religiosa, pouco a pouco. A religião torna-se científica a passos ligeiros, confirmando nos laboratórios suas teses ou as abandonando quando estas se mostram improváveis ou destituídas de lógica.

Os porquês eclodem nas mentes inquietas.

Ao lado das afirmações, deve vigorar um conjunto de testes que possibilitem confirmar ou desmentir o quanto dito.

E pairando sobre uma sociedade de homens e mulheres vestidos de carne, uma outra sociedade de desnudos da matéria densa, em estreito relacionamento pelos canais da afinidade e da sintonia de interesses, inspira e sugere que sigamos estudando e aprendendo, renovando e aprimorando valores para compreender que a vida não se restringe num só polo de manifestação.

Existem sutis vibrações a nos cercarem. Sons e raios que desconhecemos nos ferem o psiquismo diuturnamente.

Afetamos e somos afetados. Enviamos e recebemos estímulos uns dos outros.

Espalhemos cizânia e em breve o ar se torna irrespirável. Façamos do ódio nossa política de viver e o existir fica insustentável.

Do contrário, emitamos gestos de simpatia e faremos legiões de amigos. Um pensamento de paz e uma multidão em fúria pode se acalmar. Uma frase serena pode findar um mal entendido de décadas.

Uma flor ofertada e o perfume se alastra.

Uma lágrima e a emoção desarma o bruto.

Em teus devaneios e momentos de paroxismos, recorda de que és filho de Deus.

Vives os testemunhos necessários. Atravessas as estradas adequadas ao teu aprimoramento ou aquelas que escolheste livremente pelo teu arbítrio.

Tuas ações vão gerar forçosamente reações.

Teu plantio foi e será sempre livre, mas tua colheita será compulsória. É da Lei.

E então, tens alguma súplica para Deus no dia de hoje?

Antes de suplicar, reflete!

Talvez o melhor, nesse momento, seja deixar Deus agir.

A Suprema Inteligência sabe sempre o que é melhor para os seres inteligentes da Criação.

Autor: Marta (Espírito)
Psicografia: Marcel Mariano
Salvador, 25.11.2022

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